|Governo PSD/CDS-PP

As 1001 incoerências da ministra Palma Ramalho

A afirmação de que a CGTP-IN se afastou das negociações é, no mínimo, duvidosa – a central sindical participou em todas as reuniões realizadas desde Setembro. Governo já desconvocou, por duas vezes, o último encontro agendado.

CréditosMiguel A. Lopes / Agência Lusa

À margem de um debate realizado no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Faculdade de Lisboa sobre o futuro do trabalho, uma sessão para a qual não foi convidado um único trabalhador (mas com uma abundância de CEO'sadvisorspartners senior directors), Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, lamentou que a CGTP-IN se tenha auto-afastado «das negociações da reforma Trabalho XXI [o pacote laboral], ao contrário da UGT».

Estas declarações foram proferidas apenas horas depois de se saber que o Governo PSD/CDS-PP (que Palma Ramalho integra) tornara a adiar a reunião agendada com a CGTP-IN (originalmente marcada para o dia 7 de Janeiro, remarcada depois para 14, não sendo agora conhecida nova data). O absurdo das afirmações da ministra é ainda mais evidente tendo em conta que a reunião do Governo com a central sindical foi agendada a pedido da CGTP-IN, a 15 de Dezembro.

Acresce o facto de esta reunião, que o Governo sucessivamente adia, não ser sequer a primeira que Maria do Rosário Palma Ramalho realiza com a CGTP-IN. Esta central sindical já discutiu o tema, em encontros bilateriais oficiais, com a ministra do Trabalho em duas ocasiões diferentes: a 3 de Setembro e a 29 de Outubro.

Às duvidosas afirmações que proferiu na manhã desta terça-feira, Palma Ramalho acrescentou ainda a sua vontade de perceber, no fundo, «o que é que a CGTP quer» deste pacote laboral antes de prosseguir com as negociações, tendo em conta que, até agora, a ministra defende que a central sindical não terá querido nada.

Para lá da incoerência deste comentário (se se auto-excluiram de qualquer negociação, a ministra quer entender melhor a posição da central sindical para que efeito?), proferi-lo no mesmo dia em que a CGTP-IN apresentou um abaixo-assinado com as suas reivindicações (e a subscrição de mais de 190 mil trabalhadores) e pouco mais de um mês depois de uma greve geral que paralisou a produção no país, as declarações de Maria do Rosário Palma Ramalho configuram um exercício de dissonância grave.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui