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Escolas fechadas contra falta de pessoal e baixos salários

Os trabalhadores não docentes das escolas públicas cumprem esta sexta-feira uma greve nacional de 24h. A adesão está forte, com a carência de pessoal nas escolas e a precariedade no topo dos motivos.

Escola Básica dos Fidalguinhos, Barreiro
Créditos / Câmara Municipal do Barreiro

A greve de trabalhadores não docentes, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNTFPS/CGTP-IN), reunindo também o apoio de outros sindicatos, está a ter um forte impacto, implicando o fecho da grande maioria das escolas básicas.

Segundo a Federação Nacional, dados preliminares apontam para uma grande adesão à greve, motivada pelo enorme descontentamente acumulado ao longo dos últimos meses com as opções do Ministério da Educação. Dados oficiais de adesão são anunciados ao meio-dia pelo secretário-geral da CGTP-IN.

«Parece-me que é uma grande greve. As escolas que conseguiram abrir têm vários sectores que não estão a funcionar, desde bibliotecas, bares a pavilhões gimnodesportivos, ou seja, estão a funcionar de forma deficitária», contou à Lusa o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

Em causa está a crónica falta de pessoal não docente nas escolas, que os trabalhadores afirmam colocar em causa a segurança e bem-estar dos alunos, além da sua saúde, tanto fisicamente como psicologicamente, devido à sobrecarga diária. Outros motivos passam pelo fim do recurso ilegal ao trabalho precário, pela integração de todos aqueles com vínculos precários, pela denúncia do «embuste do PREVPAP», bem como pela exigência do aumento dos salários e da reposição das carreiras.

Os trabalhadores exigem ainda um fim ao processo de municipalização em curso, visto que este fomenta «a desresponsabilização do Governo, incluindo a gestão do pessoal e a destruição da Escola Pública». É afirmado que o processo «abre caminho para a sua privatização», tendo em conta a falta de meios gritante nas autarquias para resolver os problemas. 

Inquérito aos directores evidência más condições

Quase metade dos assistentes auxiliares recebe o ordenado mínimo, sendo que muitos deles trabalham há mais de 20 anos nas escolas, segundo um inquérito realizado em Abril pelo blogue ComRegras em parceria com a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), ao qual responderam 176 directores.

Oito em cada dez queixam-se da falta de assistentes operacionais, segundo o inquérito. A maioria dos diretores escolares (82%) depara-se diariamente com a falta de funcionários, de acordo com os dados recolhidos.

O estudo revelou também que quase metade destes funcionários tem mais de 50 anos e apenas 1% ganha mais de 650 euros. Muitos destes trabalhadores estão nas escolas há mais de 20 anos e recebem o salário mínimo: 41,5% ganham 580 euros, 57,4% levam para casa entre 581 e 650 euros e apenas 1,1% tem um vencimento superior a 650 euros.


Com agência Lusa

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