|FRANCISCO PALMA

Cruzar arte, memória, reflexão e intervenção

Exposições que assinalam os 50 anos da Constituição da República Portuguesa no Seixal e no Centro Cultural de Paredes e as exposições «Utopias Possíveis» em Aljustrel e «Terras Raras» em Quarteira.

Exposição coletiva «A Mulher e a Constituição – 50 anos, 50 artistas, 50 interpretações» Centro Cultural de Paredes apresenta a, que decorre até 31 de julho de 2026 
Créditos / C. C. Paredes

A Exposição «A Minha, A Tua, A Nossa Constituição Da República Portuguesa», que decorre no Espaço Memória CGTP-IN1Seixal (antiga Mundet) com obras de artistas de Arte Urbana e documentação diversa, vai poder ser visitada até 31 de dezembro de 2026.

Esta exposição, que é organizada pela CGTP-IN, assinala os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e tem a curadoria de Miguel Januário (Designer e Artista Plástico que desenvolve o ±MaisMenos±, um projeto artístico de intervenção política), e Silvestre Lacerda, (Arquivista e ex-director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo). 

À entrada do espaço da antiga Mundet encontramos um Mural, do artista Love for Rebellion, uma intervenção que dialoga com a Constituição e com o espaço público. No espaço da exposição começamos por encontrar uma instalação com dez vídeos com o título «Dez Direitos», «como se de um painel de memórias se tratasse, convidando o visitante a percorrê-los – seja de forma sequencial, seja num movimento livre e salteado, tal como a própria liberdade conquistada após Abril…», como refere a folha de sala. 

Obra de Vhils, «Direito à Educação, Cultura e Desporto», Serigrafia e spray, 70x100 cm. Exposição «A Minha, A Tua, A Nossa Constituição Da República Portuguesa», no Espaço Memória CGTP-IN, Seixal (antiga Mundet) com obras de artistas de Arte Urbana e documentação diversa, até 31 de dezembro de 2026 Créditos

Na sala principal encontramos dez obras de dez artistas plásticos convidados, todos ligados a projetos de Arte Urbana, AkaCorleone, Gonçalo Mar, Kruella D'Enfer, ±MaisMenos±, Mariana Malhão, Ruído, Tamara Alves, Third, Vhils, Wasted Rita que tiveram como referência os dez artigos da Constituição Portuguesa, já anteriormente referidos, respetivamente o Direito à Maternidade e Paternidade/ Direito à Segurança Social/ Direito à Saúde/ Direito à Resistência/ Direito à Infância e à Terceira Idade/ Direito ao Trabalho e à Liberdade Sindical/ Direito à Igualdade/ Direito à Habitação/ Direito à Educação, Cultura E Desporto/ Direito à Liberdade de Expressão e informação.  

«Através de uma seleção de dez direitos centrais inscritos na Constituição, reinterpretados por dez artistas convidados, a exposição cruza arte, memória e intervenção, convocando uma reflexão sobre o lugar da Constituição na vida coletiva, no presente e no futuro», afirmaram os curadores da exposição. Já Vihls manifestou o orgulho de fazer parte desta exposição e afirmou: «…fui convidado a dar forma ao artigo sobre Educação e Cultura, um tema que me é próximo e que nunca deixou de ser urgente.»

Na Biblioteca Municipal de Aljustrel Luís Amaro2 está a decorrer a exposição «Utopias Possíveis» com ilustrações de Ricardo Jorge e textos de projetos de saúde comunitária, podendo ser visitada até 31 de maio. 

O «Encontro Saúde. Animação Comunitária e 25 de Abril – Utopias Possíveis» já realizado em 2024, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, organizado em Coimbra pela Casa da Esquina, Grupo ECOSOL/CES, GAC-Grupo de Ação Comunitária e contou com a participação de profissionais que se destacaram em processos de mudança nos cuidados de saúde no pós-25 de Abril, contribuindo para a criação do Serviço Nacional de Saúde e sobretudo de processos de saúde de proximidade.

Exposição «Utopias Possíveis» com ilustrações de Ricardo Jorge na Biblioteca Municipal de Aljustrel Luís Amaro, até 31 de maio  Créditos

Um ano depois, na vontade de assinalar o 50.º aniversário da Constituição Portuguesa, a Associação Do Fundo à Superfície de Aljustrel decidiu realizar o «Encontro Saúde. Animação Comunitária e 25 de Abril» que integra uma tertúlia subordinada ao tema Saúde e a exposição «Utopias Possíveis», que é composta por 15 gravuras, com ilustrações de Ricardo Jorge e textos e memórias de António Cardoso Ferreira, Filipa Alves, José João Rodrigues, Maria José Cardoso Ferreira, Maria José Hespanha, Maria José Tovar, Pedro Hespanha e Rosinha Madeira, inspirados no «Encontro Saúde. Animação Comunitária e 25 de Abril» e memórias de projetos de saúde comunitária desde os finais de 1975. A organização coube à Casa da Esquina, Grupo ECOSOL/CES, GAC e GAF-Grupo Aprender em Festa.

«Utopias Possíveis pretende resgatar a memória de um período em que a ação e o pensamento se construíam da capacidade de homens e mulheres que acreditavam num mundo mais justo e humano, e que ajudaram a construir comunidades, hospitais, creches, escolas indo ao encontro das necessidades dos lugares onde tudo parecia uma miragem, dando-se origem às Comissões Locais de Saúde e ao Serviço Médico à Periferia, essenciais para a criação do Serviço Nacional de Saúde.», segundo texto da organização. 

Filipa Alves, da Casa da Esquina, refere ainda no catálogo que «vemos esta exposição como uma pequena mostra dessa militância por um mundo melhor e esperamos que vos sirva de inspiração para que este trabalho não fique por aqui, mas continue a construir novos e melhores futuros, pelos menos aqueles que nos serão possível criar.»

Na comemoração dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, o Centro Cultural de Paredes3 apresenta a exposição coletiva «A Mulher e a Constituição – 50 anos, 50 artistas, 50 interpretações», que decorre até 31 de julho de 2026.

A 2 de abril de 1976, os deputados eleitos à Assembleia Constituinte discutiram e aprovaram a Constituição de 1976, de «forma a assinalar esta efeméride, que marcou a sociedade de muitas formas, mas de uma muito especial e significativa a vida das mulheres portuguesas, o Município de Paredes aceitou o desafio de realizar uma exposição de pintura, numa coletiva temática que marcasse esta efeméride e mais do que isso, promovesse uma reflexão destas cinco décadas especialmente sobre o ponto de vista desta questão social», assinalaram Rosalina Santos e Jorge Santos, as duas curadoras da exposição.

Um conjunto de obras que reúne diferentes gerações, origens e perspetivas, refletindo sobre o que mudou e o que ainda falta mudar no país. Participam nesta exposição: Albertina Santos, Alzira Neves, Ana Fernandes, Ana Gomes, Ana Maria Fernandes/A.fe, Balbina Mendes, Carmo Diogo, Celeste Ferreira, Céu Costa, Conceição Tavares, Cristina Alves, Cristina Sardoeira, Dina Aguiar, Dulce Barata Feyo, Eduarda Ferreira, Elisabeth Leite, Emília Carvalho, Emília Duque, Estela Gomes, Evelina Oliveira, Felícia, Fernanda Araújo, Filomena Silva Campos, Gina Marrinhas, Hermínia Cândido, Inês Sousa Cardoso, Isabel Babo, Isabel Braga, Isabel Cabral, Isabel Lima, Isabel Mourão Alves, Isabel R. Dolgon, Joana Antunes, Júlia Pintão, Leonor Sousa, Luísa Pinheiro, Luísa Prior, Madalena Macedo, Mafalda Rocha, Manuela Bronze, Maria José Rodrigues, Mónica Silva, Nazaré Álvares, Nucha Cardoso, Odete Pinheiro, Otília Santos, Rosa Bela Cruz, Rosa Dixe, Teresa Gil e Violante Saramago Matos.

Exposição «Terras Raras» de Tiago Leonardo e Vicente Sampaio na Galeria Praça do Mar, em Quarteira, até 23 de maio de 2026 Créditos

A Galeria Praça do Mar4, em Quarteira, apresenta a exposição «Terras Raras» de Tiago Leonardo e Vicente Sampaio, que decorre até 23 de maio de 2026. Esta exposição é o resultado da Open Call e Residência Artística promovida pela Associação Alfaia, em parceria com as Galerias Municipais de Loulé, esta é já a quarta edição das exposições e Residências dedicadas a jovens artistas visuais — uma colaboração que se tem afirmado como um espaço consistente de criação, pesquisa e partilha. 

As obras dos artistas Tiago Leonardo e Vicente Sampaio, Terras Raras propõem «uma reflexão crítica e poética sobre as matérias que sustentam o presente tecnológico e os seus impactos invisíveis. Entre elementos minerais e metáforas sensíveis, a exposição convoca o território algarvio como lugar de tensão e imaginação — onde o "raro" é também aquilo que resiste, persiste e escapa.

Entre geologia e ficção, natureza e tecnologia, abre-se um espaço de escuta, questionamento e criação de contra-narrativas, convidando a pensar outras formas de habitar e imaginar o mundo.», segundo o texto da exposição.


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Espaço Memória – Centro de Arquivo, Documentação e Audiovisual da CGTP-IN, Avenida Albano Narciso Pereira, no Seixal. Horário: de segunda a sexta-feira, das 10h às 12h30 e das 14 às 16h30.
  • 2. Biblioteca Municipal de Aljustrel, Largo da Biblioteca 7600-010 Aljustrel. Horário: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h30 e das 14h às 18h. Sábado, das 10h às 13h.
  • 3.  Casa da Cultura de Paredes, Avenida da República 4580-193 Paredes. Horário: de terça a sexta-feira, das 9h às 19h. Sábado, das 10h às 13h.
  • 4. Galeria Municipal Praça do Mar, Avenida Infante Sagres 8125-156 – Quarteira. Horário: de terça a sábado, das 10h às 13h e das 14h às 18h.

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