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Eventual fecho do matadouro do Cachão é «machadada» na economia transmontana

O SINTAB admite que a sentença de insolvência do maior matadouro de Trás-os-Montes, decisão que os trabalhadores conheceram pelo edital, terá impactos negativos na região.

CréditosPedro Sarmento Costa / Agência Lusa

O eventual encerramento do Matadouro Industrial do Cachão, no concelho de Mirandela, «representará uma machadada absurda num dos principais pilares da economia agroindustrial de Trás-os-Montes, agravando as dificuldades já existentes, pela perda de infra-estruturas essenciais e de capacidade produtiva», alerta um comunicado do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura, e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN).

Segundo este, a insolvência do maior matadouro de Trás-os-Montes, cuja maioria do capital é detida pelas autarquias de Mirandela e de Vila Flor, «representa o culminar de um longo processo de má gestão, marcado por opções de endividamento cuja finalidade nunca se traduziu na melhoria das condições de trabalho, nem no reforço da capacidade produtiva da unidade». 

O aspecto «mais grave», sublinha, reside no impacto directo sobre os trabalhadores, que apenas tiveram conhecimento da decisão após a fixação do edital do tribunal. Atitude que o SINTAB classifica de «total desrespeito por quem, diariamente, assegura o funcionamento desta unidade e contribui para a economia regional».

O sindicato alerta para a destruição de mais de 20 postos de trabalho, numa região profundamente marcada por baixos índices de empregabilidade, acrescentando que a decisão «é ainda mais grave, quando ignora completamente a realidade e as necessidades da região do nordeste transmontano». Explica a este propósito que não existe actualmente nenhuma infra-estrutura em funcionamento na região com capacidade equivalente de abate. «O matadouro de Bragança encontra-se encerrado para obras, prevendo-se que assim permaneça durante todo o Verão; o de Mogadouro continua em construção, com sucessivos atrasos que apontam a sua conclusão para uma data nunca antes de Outubro; e o de Miranda do Douro está igualmente em obras, por falta de condições, estando mesmo prevista a sua relocalização», explica na nota. 

Segundo o SINTAB, que garante tudo fazer para assegurar a manutenção da unidade, «estamos perante uma decisão que pode ser compreendida apenas numa lógica estritamente contabilística, mas que falha redondamente ao nível da resposta às necessidades da região». Prova disso, acrescenta, «é que o próprio complexo continua a laborar em pleno, mesmo após a declaração de insolvência, evidenciando a sua importância vital».

Sublinha que o verdadeiro interesse dos trabalhadores, da população e da economia transmontana passa pela criação das condições e pela disponibilização dos recursos necessários para assegurar a continuidade desta unidade, lembrando que a produção pecuária, em particular a bovinicultura, «constitui um dos principais pilares de subsistência da região, e não pode ser abandonada».

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