|IPO do Porto

Cirurgiões gerais chamados a actos de especialidade pedem escusa

Mais de 20 cirurgiões gerais do IPO do Porto formalizaram as suas reservas técnicas para procedimentos que estão a ser chamados a realizar, fora do seu âmbito de competência. 

CréditosCarlos Cruz

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN/FNAM) denuncia que os cirurgiões gerais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto estão a ser chamados «durante a noite, fins-de-semana e feriados» para realizarem operações altamente especializadas. Como estas situações excedem as suas competências, 23 destes profissionais entregaram declarações formais de exercício sob reserva técnica, ou seja, escusas de responsabilidade.

A estrutura sindical alerta num comunicado para «doentes em risco por falhas organizativas», identificando áreas altamente especializadas, como a Urologia ou a Otorrinolaringologia, em carência de profissionais a estas horas.

«O que é preciso é organizar o trabalho de forma diferente», admitiu Joana Bordalo e Sá, presidente do SMN, à Rádio Observador, porque «não há médicos urologistas, nem de otorrinolaringologia, de apoio no período nocturno, aos fins-de-semana e aos feriados, e há noutras áeas, por exemplo na Neurocirurgia, na cirurgia torácica, há médicos que não estão na instituição em presença física, mas estão de prevenção. Ou seja, se acontecer alguma coisa a doentes destas áreas, estes médicos deslocam-se à instituição para dar apoio e resolver a situação». Porém, acrescentou, nas áreas de Urologia ou a Otorrinolaringologia, «que são ultra diferenciadas, e agora há técnicas novas, em que os doentes começam a ser operados também com a robótica, são áreas mesmo muito especializadas e há que garantir que médicos destas duas especialidades consigam dar apoio à noite e ao fim-de-semana e feriados». 

Em defesa dos cirurgiões e utentes, o SMN reclama uma resposta urgente do Conselho de Administração do IPO do Porto, da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), do Ministério da Saúde e da Inspeção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), e da Ordem dos Médicos, todas informadas da denúncia.

«Jogo de palavras»

Ao fim da manhã desta quinta-feira, uma notícia da Lusa dava conta da reacção da administração do IPO ao comunicado do SMN, alegando que «é falso que, à data, se tenha recebido escusa de responsabilidade por parte de médicos cirurgiões, mas sim declaração de exercício sob reserva técnica».

Questionada pelo AbrilAbril, Joana Bordalo e Sá admitiu tratar-se de um «jogo de palavras», uma vez que, explicou, «o efeito prático é o mesmo». Sobre a denúncia em causa, a presidente do SMN realça a necessidade de haver escalas de prevenção destas especialidades, salientando que estes cirurgiões não podem ser responsabilizados por actos médicos para os quais não têm competência técnica. 

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