O convite partiu do lendário músico e ex-deputado da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba Sílvio Rodriguez, uma das mais conhecidas e marcantes vozes latino-americanas. Trinta e quatro anos depois da última visita, Chico Buarque de Hollanda voltou a desembarcar em Cuba, num momento em que as sanções fora-da-lei contra a ilha agravam a crise económica e energética, numa «demonstração de solidariedade ao povo do país».
Para além da «doação de medicamentos essenciais ao Ministério da Saúde cubano», Chico Buarque anunciou nas suas redes sociais a gravação de uma nova versão do tema Sueño con Serpientes, de Sílvio Rodriguez, com o cantautor cubano, num estúdio em Havana. Não é a primeira vez que a canção ganha expressão brasileira – em 1980, Milton Nascimento incluiu-a no seu disco Sentinela, com a participação da cantora argentina Mercedes Sosa.
A escolha de Sueño con Serpientes não é aleatória. Prefaciada pelo poema de Bertold Brecht Os que Lutam, sobre as mulheres e homens «imprescindíveis» que não abdicam da luta pela construção de uma vida melhor, a canção foi censurada pelo fascismo espanhol e chileno. A nova versão, com a participação de Buarque, vai ser divulgada em todas as plataformas de música.
A anterior visita de Chico Buarque a Cuba deu-se em Janeiro de 1992, período em que o país enfrentava uma grave crise em resultado dos embargos económicos, muitos agravados pelo fim da União Soviética. O cantor estava integrado numa brigada brasileira de solidariedade encabeçada também por figuras como o frade dominicado e preso político Frei Betto, o economista e fundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile e o cartoonista Ziraldo.
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