Em declarações à imprensa, Carla Paredes, que foi ministra da Saúde no governo liderado por Xiomara Castro (2022-2026), criticou esta terça-feira a «emergência» decretada pelo governo de Nasry Asfura, frisando que se tornou um instrumento para justificar despedimentos de pessoal essencial na rede hospitalar e as tentativas de privatização do sistema.
Em seu entender, longe de resolver a lista de espera nas cirurgias, a «emergência» tornou-se um instrumento para desmantelar capacidades da saúde pública e, desse modo, obrigar os cidadãos a recorrer a clínicas privadas.
Paredes referiu-se ao despedimento de médicos especialistas e pessoal técnico em hospitais-chave como o de Santa Bárbara, no Noroeste do país, onde – detalhou – foram dispensados profissionais essenciais como médicos de clínica geral, especialistas vasculares e radiologistas.
«Porque é que acham que dispensaram os técnicos de radiologia? Para que as pessoas tenham de pagar exames de raio-X em clínicas privadas?», salientou a ex-ministra hondurenha, que descreveu a narrativa oficial da «emergência na saúde» como uma «mentira», usada para dar cobertura a decisões administrativas que estão a esvaziar os centros de saúde e a deteriorar a sua capacidade de resposta.
País a caminhar para a saúde-negócio
As declarações de Carla Paredes coincidem com o mal-estar crescente entre os médicos hondurenhos, que esta terça-feira cumpriram a nona jornada de protestos para exigir o pagamento de salários em atraso e denunciar o despedimento de centenas de profissionais de saúde.
No entender da médica e ex-ministra, as Honduras estão a caminhar para um cenário em que a saúde depende cada vez mais da capacidade de pagamento de cada qual.
«Isto afecta-nos a todos», alertou Paredes, depois de questionar o silêncio em torno daquilo a que chamou «massacre» no sistema de saúde e de chamar a atenção para as dificuldades crescentes que a população enfrenta, com o aumento do custo de vida.
Ao declarar a «emergência» no sector da saúde, o governo liberal disse que o objectivo era «melhorar os cuidados e garantir o fornecimento de materiais», indica a TeleSur.
No entanto, para a ex-ministra esta «emergência» não apenas falhou nos objectivos propostos, como abriu as portas a um modelo que visa reduzir o papel do Estado, passando para os cidadãos os encargos com os cuidados, que não são encarados como um direito.
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