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Chegou a Cuba o primeiro grupo de médicos da brigada que estava na Jamaica

O regresso a Cuba de médicos que trabalhavam na Jamaica segue-se à decisão unilateral deste país de acabar com a cooperação na saúde. Bruno Rodríguez denunciou a «feroz pressão e chantagem» dos EUA.

Nas últimas semanas, Guatemala, Honduras e Jamaica anunciaram o fim dos acordos de cooperação médica com Cuba, cedendo às pressões exercidas pelos EUA Créditos / PL

O primeiro grupo da brigada médica que laborava na Jamaica foi recebido, esta quinta-feira, pela vice-ministra da Saúde Pública, Tania Cruz.

«Bem-vindos à Pátria!», exclamou a representante governamental, acrescentando que o regresso ocorre «com a sua missão honrosamente cumprida». «Recebemo-los como exemplo de humanidade e solidariedade», sublinhou, citada pela Prensa Latina.

«Regressam com o reconhecimento, além disso, de um povo que não esquecerá a vossa presença. Não esquecerão que foram os primeiros a chegar a lugares onde nenhum médico tinha estado, a zonas de difícil acesso e devastadas por desastres», salientou.

A representante da Saúde Pública lembrou que, com a decisão unilateral de cessar o acordo com Cuba, a Jamaica priva da prestação de cuidados de saúde um povo ao qual Cuba está ligada pela amizade.

Ao fazer um balanço do trabalho de uma brigada que envolveu 4700 médicos cubanos em três décadas, a vice-ministra destacou que foram atendidos mais de oito milhões de pacientes e realizadas 74 mil intervenções cirúrgicas e 7295 partos.

Além disso, a brigada salvou 91 mil vidas e ajudou a recuperar a visão a 25 mil pacientes no âmbito do programa Operação Milagre. «Cuba estará disposta a dar ajuda aos mais necessitados, sem condicionamentos económicos, políticos e sociais», referiu Cruz.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba fez saber que, no passado dia 4 de Março, a diplomacia jamaicana havia comunicado à embaixada cubana no país a decisão unilateral do seu governo de rescindir o acordo de cooperação em matéria de saúde.

No dia seguinte, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Jamaica, Kamina Johnson Smith, afirmou no Parlamento de Kingston que «a administração dos EUA havia expressado preocupação com o funcionamento dos programas médicos cubanos em todo o mundo», mas sem reconhecer que o executivo jamaicano tinha cessado o acordo com Cuba por pressões norte-americanas.

«Feroz pressão e chantagem» dos EUA sobre países latino-americanos e caribenhos

Essa pressão foi denunciada de forma reiterada pela diplomacia cubana, que acusou o executivo jamaicano de a ela ceder, quando o governo dos EUA nada «se preocupa com as necessidades de saúde dos irmãos caribenhos».

Além da Jamaica, nas últimas semanas também as Honduras e a Guatemala anunciaram o fim dos acordos com a Ilha no âmbito da saúde, em vigor há décadas.

Neste contexto, Bruno Rodríguez, ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, destacou a «feroz pressão e chantagem» que os EUA exercem na América Latina e Caraíbas para garantir que as brigadas médicas abandonam todos os países da região onde se encontram.

Na sua conta de Twitter (X), o diplomata advertiu que, deste modo, os EUA «não pretendem apenas atingir o programa humanista e solidário criado por Cuba e Fidel, e continuar a cortar fontes de rendimento» à economia cubana.

«Castigam os povos e comunidades mais desfavorecidos da região, que durante décadas receberam os cuidados médicos cubanos», disse, sublinhando que, em troca, os EUA «prometem recursos que sabemos que nunca hão-de chegar nem beneficiar essas populações».

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