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Festa no Recife celebra 30 mil alfabetizados com método cubano

Delegações de 11 estados do Nordeste e do Sudeste brasileiro celebraram este sábado, na capital pernambucana, a formatura de 30 mil educandos no programa Jornada de Alfabetização.

A cerimónia de formatura ocorreu no «Geraldão» do Recife CréditosCha Dafol / Brasil de Fato

O Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, Geraldão, no Recife, foi palco de uma cerimónia que juntou 7000 dos 30 mil homens e mulheres que foram alfabetizados nos últimos meses com recurso ao método cubano «Sim, Eu Posso», na sequência de um esforço conjunto de várias organizações e do governo brasileiro.

A iniciativa, que foi levada a cabo em áreas de reforma agrária e periferias de cidades do Nordeste e do Sudeste, fez parte do Pacto de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação (MEC), segundo refere a Agência Brasil.

O programa, explica a fonte, foi realizado em parceria com o Projeto Mãos Solidárias, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Uma mudança profunda na vida

Para muitos dos participantes, a formatura representa uma mudança profunda na vida quotidiana. Geni Otaviano do Santos, acampada no Acampamento São José, em Paulo Afonso (Bahia), disse que «não conseguia juntar as letras para formar uma palavra».

«Vivia num acampamento, ia para as lutas e não conseguia ler os folhetos, o material da militância. Tinha muita vergonha de me reunir com os outros companheiros. Agora, eu junto as letras, sai a palavra. Eu cresci e me sinto mais forte», frisou, em declarações ao Brasil de Fato.

José Francisco Maia, de 67 anos, residente no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, referiu-se à emoção de finalmente poder ler. «Vou aprender mais, mais ainda. Quero pegar mais oportunidade, né? Abrir janelas para conhecer mais, aprender mais coisas», disse.

Por seu lado, Iná Cordeiro também destacou que aprender a ler e escrever representa uma forma de recuperar oportunidades que haviam sido negadas ao longo da vida. «Aquele tempo parado que a gente deixou atrasar na nossa vida, aquele tempo que a gente não construiu nada… a alfabetização entra justamente para preencher aquilo», disse ao Brasil de Fato.

MST fala em dívida histórica e alegria

«É com muita alegria que estamos aqui para celebrar esse primeiro ciclo desse processo de alfabetização de jovens e adultos nas áreas de reforma agrária e nas periferias», disse Maria de Jesus, da coordenação do MST do Ceará.

«Hoje, esse ato aqui é um momento histórico na luta pelo direito à alfabetização. Na luta para transformar nossos assentamentos e acampamentos, as nossas periferias em territórios livres do analfabetismo», acrescentou, citada pela Agência Brasil.

João Pedro Stedile, da direcção nacional do MST, destacou que o Brasil tem uma dívida histórica com os trabalhadores analfabetos e defendeu que só há um caminho para superar esse obstáculo: a formação de uma aliança estratégia entre diversos sectores da sociedade.

«É preciso construir uma aliança que envolva o Estado brasileiro, que tem os recursos. Temos que envolver as universidades, porque é preciso conhecimento acumulado. E, por último, nós precisamos dos movimentos, seja de igreja, seja do sindicato, seja do MST. Precisamos de todos os movimentos em que o nosso povo se organiza. Sem essa aliança, nós não vamos resolver o problema», declarou, citado pelo Brasil de Fato.

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