As declarações foram proferidas por Lina Luna à Xinhua à margem do fórum de alto nível Celac-África, no âmbito da X Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que decorreu este sábado em Bogotá.
«A América Latina valoriza muito a sua relação com a China porque se traduz numa situação vantajosa para ambos os lados», observou a académica, acrescentando que se trata de uma relação «que se traduz em desenvolvimento e resultados positivos para a região».
«Portanto, vemos que existem tensões geopolíticas, mas também há confiança de que esta relação perdure ao longo do tempo», disse.
A título de exemplo, Luna referiu-se à situação da Colômbia, país que aderiu o ano passado à Iniciativa Cinturão e Rota da China.
De acordo com a entrevistada, o país sul-americano tem percebido as vantagens de realizar importantes projectos de infra-estruturas com a China, como o Metro de Bogotá, na capital colombiana, que reflectem um «novo começo» na relação entre os dois países.
«Desde a construção do Metro e da entrada na Iniciativa Cinturão e Rota, a Colômbia compreende que a China é um parceiro crucial para o desenvolvimento do país a muitos níveis», declarou Luna, que prevê um «aprofundamento» destas relações.
China desempenha um «papel preponderante» na América Latina
A entrevistada destacou ainda o carácter «pragmático» da relação com o país asiático para a América Latina.
«Situa-se para lá das posições ideológicas que os diferentes governos da região possam ter», explicou a especialista, o que, na sua opinião, pode ser interpretado como «mais uma potencial oportunidade de integração assente em interesses de desenvolvimento partilhados».
De acordo com a académica, aspectos específicos como a transferência de tecnologia, o desenvolvimento de infra-estruturas e a transição energética com projectos de energia limpa, como a eólica, são de vital importância para a América Latina, região na qual a China desempenha um papel preponderante.
Neste sentido, destacou a importância de «parceiros que não estejam ideologicamente polarizados, que não queiram promover uma visão política ou outra, mas sim uma visão especificamente centrada no desenvolvimento da região», que é «o que a China nos oferece».
Possibilidade de a região alargar as suas perspectivas de desenvolvimento
Assim, defendeu que é essencial reforçar estas relações, por ser «a partir daí que surgem projectos que ajudarão a integração latino-americana a muitos níveis».
É graças à construção desta confiança que a América Latina pode alargar as suas perspetivas de desenvolvimento numa altura em que a «fragmentação» e a «incerteza» são muito elevadas, defendeu.
«Saber que temos um parceiro que, embora geograficamente distante, está próximo dos nossos sonhos de desenvolvimento e da nossa visão de nos tornarmos um continente mais forte», explicou, defendendo que «a China se está a revelar um pilar de estabilidade para o mundo, mas especialmente para a América Latina».
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