|Bélgica

Mais de 100 mil em Bruxelas contra as políticas de austeridade e a militarização

Por iniciativa dos sindicatos e do mundo associativo, mais de 100 mil pessoas manifestaram-se na capital belga, esta quinta-feira, contra os planos do governo. A 14.ª mobilização em 16 meses, sublinhou o PTB.

De acordo com a FGTB/ABVV, mais de 100 mil pessoas manifestaram-se em Bruxelas contra as políticas de austeridade, a reforma das pensões e os planos de militarização do governo belga Créditos / PTB

A manifestação nacional em Bruxelas teve lugar no âmbito de uma jornada de luta e greve geral contras as medidas anti-populares que o governo da chamada Coligação Arizona quer implementar.

Sindicatos, organizações de mulheres e de solidariedade internacional, entre outras, apelaram ao protesto contra aquilo que designam como roubo de salários e pensões dos trabalhadores para financiar a militarização.

No início da mobilização, Selena Carbonero Fernandez, secretária-geral da Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB/ABVV), disse à imprensa que a reforma das pensões do governo tem de ser travada, sublinhou a defesa do poder de compra, bem como a necessidade de «acabar com o tabu sobre novas fontes de financiamento», que devem ser procuradas no seio daqueles que «têm os bolsos mais fundos».

A resistência aos planos do governo liderado por Bart De Wever tem sido grande no país europeu e isso mesmo foi destacado pelo secretário-geral do Partido do Trabalho da Bélgica (PTB/PVDA), Peter Mertens, numa entrevista à revista Jacobin dias antes desta jornada de luta.

«A greve geral de 12 de Março marca um ano de mobilizações contínuas», disse, acrescentando que isso se deve ao facto de «os objectivos do movimento serem muito populares e contarem com um amplo apoio, especialmente no que diz respeito à rejeição da reforma aos 67 anos».

Um sistema injusto

No âmbito do seu programa – refere o Peoples Dispatch –, o governo belga está a tentar forçar o maior número possível de pessoas a trabalhar até aos 67 anos, penalizando-as. Neste modelo, por cada ano de reforma antes dessa idade, os trabalhadores podem ver as suas pensões reduzidas até 5% ao ano.

Medidas como esta e outras originalmente propostas pelo governo – como a limitação da contribuição do trabalho precário para o cálculo da reforma – motivaram fortes críticas ao modelo do governo Arizona.

«O sistema de bónus e penalizações é injusto», alertou em Fevereiro Kim De Witte, especialista em reformas do PTB/PVDA. «Penaliza quem começa a trabalhar cedo, muitas vezes em profissões árduas e com reformas mais pequenas, e recompensa quem começa a trabalhar mais tarde e já tem uma boa reforma», disse.

De Witte destacou também o impacto global que as mobilizações consequentes no país tiveram no esquema de reformas do executivo, estimando que um quarto das medidas já foi alterado. «O governo está a vacilar e a mudar os seus planos sob pressão das ruas», disse De Witte. «Agora é tempo de ir mais além. A reforma das pensões tem de ser completamente descartada», frisou.

Impacto da militarização na vida das pessoas

A denúncia dos planos de militarização e da guerra foi um dos elementos centrais da mobilização.

O secretário-geral do PTB sublinhou que os planos militaristas do governo – que incluem a compra de viaturas de combate, munições, drones e inteligência artificial – estão em oposição frontal às necessidades reais das pessoas, como saúde e protecção social de qualidade.

As pessoas estão descontentes – e com razão – ao verem anunciados mais cortes em serviços públicos e mais dinheiro destinado a armas. Por isso, Mertens sublinhou a importância da mobilização e de canalizar esse descontentamento para os verdadeiros responsáveis, para evitar que a frustração dos trabalhadores sirva para alimentar a extrema-direita.

Uma mobilização de grande amplitude

No seu portal, o PTB sublinhou que uma mobilização desta dimensão, durante tanto tempo, é algo inédito, afirmando que se trata da 14.ª mobilização em 16 meses contra os planos do governo.

Mertens destacou a participação das mulheres com uma «mensagem clara» contra a reforma das pensões, porque as medidas propostas as prejudicam particularmente a elas e às profissões penosas e desgastantes.

Alertou ainda que o governo Arizona quer aumentar os impostos sobre o gás, na sequência da explosão dos preços subsequente à guerra de agressão, ilegal contra o Irão. «Este é o mesmo governo que quer gastar 34 mil milhões de euros em material de guerra, enquanto alega não haver dinheiro para a classe trabalhadora», criticou.

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