|8 de Março

Mulheres exigem «efectiva igualdade na vida»

A CGTP-IN, em conjunto com vários sindicatos da saúde, encerra este domingo a Semana da Igualdade no Hospital de São José, em Lisboa. Mulheres agricultoras participam em manifestações por todo o País.

CréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

A concentração, a partir das 10h, na porta principal do Hospital de São José, encerra a Semana da Igualdade promovida pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH) da CGTP-IN, no âmbito das comemorações do dia 8 de Março. Com esta iniciativa, CIMH e União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP-IN) pretendem «homenagear todas as mulheres que trabalham no Hospital S. José e que mantêm o SNS a funcionar», sempre na linha da frente e essenciais na prestação dos cuidados de saúde.

Mulheres que, segundo as estruturas sindicais, têm «vidas organizadas ao sabor da escala, muitas vezes obrigadas a seguir turno porque há falta de profissionais. Corpos que acumulam cansaço. Famílias que se desencontram, porque não há tempo para o afecto». A CGTP-IN alerta para o facto de Portugal estar entre os países da União Europeia onde a jornada diária de trabalho é mais longa, com mais de 900 mil mulheres «sujeitas a turnos, trabalho nocturno, fins-de-semana e horários fragmentados».

Mulheres agricultoras saem à rua

Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a MARP – Associação das Mulheres  Agricultoras e Rurais Portuguesas reivindica políticas que valorizem o mundo rural e as mulheres rurais, «com uma justa  repartição de valor por toda a cadeia, e por preços justos aos produtores e aos consumidores». Num comunicado enviado ao AbrilAbril, a estrutura denuncia os baixos preços pagos à produção agrícola, o aumento dos custos dos factores de produção e o desinvestimento em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, transportes e apoio social, «que continuam a penalizar, em particular, as mulheres agricultoras e as suas famílias».  

«Sendo este um momento de comemoração da vida e do trabalho das mulheres, é também  de reafirmação da luta das mulheres agricultoras e rurais por uma efectiva igualdade na vida, num país onde se sentem retrocessos nos direitos e nas mentalidades, que vêm a par com o  agravamento das condições de vida e de trabalho, e com a desvalorização do papel e da  participação das mulheres», lê-se na nota.  

A entidade filiada na Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reforça ainda a exigência da concretização plena do Estatuto da Agricultura Familiar e a criação de um regime de Segurança Social adaptado à realidade das mulheres agricultoras e rurais, que lhes assegure protecção e dignidade ao longo da vida e, em especial, na velhice. Reivindicações que a MARP leva para a rua este domingo, seja através da participação e promoção de acções de contacto com agricultoras e populações em feiras e mercados locais, ou pela adesão às iniciativas e manifestações promovidas pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM), de Norte a Sul, sob o lema «Vida  com Dignidade, Direitos com Igualdade!». 

As guardiãs das sementes

Entretanto, também a CNA celebra o Dia Internacional da Mulher, saudando, particularmente, as mulheres agricultoras que «lutam pela valorização do seu trabalho, por preços justos à produção, pelo acesso equitativo à terra e aos recursos naturais e pelo direito a viver nas suas terras, em condições de igualdade e dignidade».

A CNA recorda que «as mulheres produzem grande parte dos alimentos que nutrem as comunidades e fortalecem a soberania alimentar, são guardiãs das sementes, protectoras da biodiversidade e sustentam as economias locais e comunitárias», embora continuem a ser penalizadas «pelos baixos rendimentos da actividade». Por outro lado, considera que «o trabalho, também na esfera dos cuidados, muitas vezes invisibilizado, torna-se ainda mais pesado perante o desmantelamento e desinvestimento de sucessivos Governos nos serviços públicos».

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