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Repetidas violações ao «cessar-fogo» por Israel em Gaza

Só na madrugada e manhã de domingo, pelo menos dez civis palestinianos perderam a vida em ataques da ocupação no Norte e no Sul do enclave, onde o Hospital Mártires de al-Aqsa «está à beira do colapso».

No meio das sucessivas violações à trégua por parte de Israel, as equipas da defesa civil em Gaza enfrentam «extremas dificuldades e limitações» para resgatar os corpos dos escombros Créditos / PressTV

Fontes palestinianas indicaram que quatro pessoas foram mortas e outras ficaram feridas na sequência de um ataque israelita a uma tenda que dava abrigo a uma família em al-Faluja, no Norte da Faixa de Gaza.

Outras seis perderam a vida também num ataque a uma tenda, nas imediações de Khan Younis (Sul). Testemunhos presenciais disseram à imprensa que as ambulâncias viram impossibilitado o acesso ao local, onde havia feridos «a esvair-se em sangue», devido à presença de drones israelitas.

A defesa civil no enclave confirmou as dez mortes, revela o portal palinfo.com, que dá conta de demolições em larga escala e de intensos bombardeamentos de artilharia israelitas contra a zona de Sheikh Zayed, a norte do campo de refugiados de Jabalia.

Também registou ataques aéreos e de artilharia sobre a região de Khan Younis e o bairro de al-Tuffah, na Cidade de Gaza.

Mais tarde, a Wafa noticiou a morte de outros três palestinianos, dois dos quais em resultado de um ataque de um drone israelita a um grupo de civis em Beit Lahiya (Norte). O terceiro faleceu em condições semelhantes no bairro de Tel al-Hawa, na Cidade de Gaza.

Dados divulgados este domingo pelas autoridades de saúde no enclave indicam que pelo menos 72 061 palestinianos foram mortos e 171 715 ficaram feridos como resultado da ofensiva israelita de extermínio lançada contra a Faixa de Gaza em Outubro de 2023.

Desde que o mais recente acordo de cessar-fogo entrou vigor, a 10 de Outubro de 2025, pelo menos 601 palestinianos perderam a vida e 1607 foram feridos em ataques da ocupação.

Milhares ainda sob os escombros

A defesa civil no enclave destacou, na quinta-feira, as dificuldades que enfrentam as equipas que, no terreno, procuram remover os escombros e resgatar os corpos de vítimas da ofensiva genocida israelita.

Em comunicado, Mahmoud Basal, representante do organismo, estimou que 8000 corpos ainda permaneçam sob os escombros, apesar dos trabalhos em curso.

Sobre os esforços que estão a ser feitos, no bairro de Skeikh Radwan (Cidade de Gaza), para remover com máquinas pesadas os escombros de um edifício destruído pelos ataques israelitas, Basal explicou que decorrem «com grandes limitações».

Citado pela PressTV, o responsável disse que as equipas trabalham em «condições muito difíceis» e com recursos limitados.

Crise agravada no Hospital Mártires de al-Aqsa

Sendo uma das principais infra-estruturas de saúde em Gaza – e uma das poucas a funcionar –, o hospital debate-se com grandes dificuldades de acesso a energia, no meio do bloqueio imposto por Israel.

Responsáveis hospitalares revelaram que há três meses deixou de funcionar um gerador e agora outro, devido à falta de combustível e de peças sobressalentes para os reparar e operar.

Neste contexto, a unidade hospitalar funciona apenas com dois geradores pequenos, em condições operacionais «extremamente frágeis» e que «não garantem a estabilidade e a continuidade dos serviços».

Com Israel a violar os termos da trégua anunciada a 10 de Outubro último, ao restringir o fluxo de ajuda que entra no enclave, os responsáveis afirmam que as vidas de centenas de pacientes estão em risco, sobretudo na unidade de cuidados intensivos, nas incubadoras, salas de cirurgia e outros departamentos vitais, e alertam para a possibilidade de encerramento total do hospital.

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