|Saara Ocidental

Aminatu Haidar denuncia «política marroquina de silenciar vozes saarauís»

Conhecida defensora dos direitos humanos nos territórios saarauís ocupados, Haidar conseguiu viajar até Espanha, mas só depois de passar por «um calvário» nos aeroportos de Dakhla e El Aiun.

Aminatu Haidar Créditos / SPS

No domingo passado, Aminatu Haidar acabou por ser autorizada pelas autoridades marroquinas de ocupação a viajar até às Ilhas Canárias, e daí para Madrid, onde tinha consulta marcada, depois de, dias antes, a terem impedido de embarcar no aeroporto da cidade ocupada de Dakhla.

Nesta última cidade, há uma semana, a reconhecida activista, ex-presa política perseguida pelas autoridades marroquinas em múltiplas ocasiões, dirigiu-se com a sua filha para a sala de embarque do aeroporto, onde enfrentou problemas num controlo de segurança.

Posteriormente, revela a agência Sahara Press Service (SPS), os serviços de segurança levaram-nas para uma sala privada, com o propósito de as sujeitarem a uma «inspecção corporal completa», que implicava despi-las.

Aminatu Haidar descreveu o procedimento como «humilhante» e «degradante», e mostrou-se inconformada com o facto de a nenhum outro passageiro ter sido exigido o mesmo.

De acordo com a informação divulgada pela fonte, Haidar chegara à cidade ocupada de Dakhla três dias antes para visitar um familiar doente, tendo sido vigiada a todo o momento pelas forças marroquinas de segurança e inteligência.

«Silenciamento das vozes saarauís que reclamam a autodeterminação»

Referindo-se às «tentativas de a sujeitar a uma inspecção humilhante», Haidar afirma que isso representa «uma clara forma de violação da dignidade humana».

«O calvário que sofri no aeroporto da cidade ocupada de Dakhla, e posteriormente no de El Aaiun ocupada, é parte inseparável da política marroquina de silenciar as vozes saarauís que exigem o direito de autodeterminação», denunciou, citada pela SPS.

A defensora dos direitos humanos destacou que o facto de possuir toda a documentação legal necessária para viajar e os motivos «poucos convincentes» para a impedir de seguir viagem deixam em evidência, uma vez mais, «a hipocrisia da retórica oficial marroquina».

Enquanto «declara o respeito pelos direitos humanos», as «práticas repressivas contra os saarauís, sobretudo os defensores dos direitos humanos, continuam sem cessar», disse.

No que respeita à sua «libertação», Haidar sublinha que isso não se fica a dever a «qualquer cumprimento da legalidade por parte das autoridades de ocupação marroquinas, mas a uma crescente pressão internacional», subsequente à «condenação generalizada» do seu caso por parte de «organizações de direitos humanos, personalidades políticas e meios de comunicação de todo o mundo».

União Nacional das Mulheres Saarauís repudia medidas arbitrárias

Uma das organizações que se fizeram ouvir sobre o caso foi a União Nacional das Mulheres Saarauís (UNMS), que, em comunicado, denunciou as restrições impostas à liberdade de circulação, o assédio de natureza política e a perseguição directa à activista como «uma clara violação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos».

No texto, a UNMS insta as Nações Unidas e as organizações internacionais de defesa dos direitos humanos a intervirem de forma urgente, com o intuito de «monitorizar a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados do Saara Ocidental e acabar com a impunidade» da ocupação.

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