Centenas de pessoas responderam afirmativamente ao apelo feito pelo Mar de Lumes – Comité Galego de Solidariedade Internacionalista, participando este domingo, em Ferrol, numa mobilização apoiada por cerca de trinta organizações galegas, na sequência do processo interposto pela Brigada de Informação da Guarda Civil ao activista Bruno Lopes Teixeiro por publicações nas redes sociais em que repudia o genocídio do povo palestiniano e a cumplicidade dos governos ocidentais com o sionismo.
Na manifestação, que terminou frente à sede do município ferrolano, interveio o próprio Lopes Teixeiro – um conhecido militante internacionalista, comprometido também com a defesa da causa nacional da Galiza e com a vida social e comunitária de Ferrol e da sua comarca.
Ao intervier, Bruno, que terá de prestar depoimento a 10 de Março num tribunal de Ferrol, caracterizou o processo movido contra ele pela Guarda Civil como uma «montagem» e tentativa de silenciar quem defende a causa palestiniana e critica as políticas do governo israelita.
O militante do Mar de Lumes também enfatizou a confusão deliberada entre os conceitos de «anti-sionismo» e «anti-semitismo» no processo judicial, tendo criticado a proliferação de mensagens de «contas sionistas» nas redes sociais, que se congratulam com a morte de menores em Gaza e a expulsão dos palestinianos, enquanto a Guarda Civil se centra no anti-sionismo.
«O anti-semitismo é o ódio à comunidade judaica ou à sua religião; o anti-sionismo é posicionar-se contra uma ideologia racista e colonial, o sionismo», declarou, citado pela EFE.
O foco continua a ser a denúncia do genocídio e da ocupação
No passado dia 15, ao anunciar esta mobilização em conferência de imprensa, o Mar de Lumes denunciou as tentativas de intimidar e criminalizar a solidariedade internacionalista com a Palestina, e deixou claro que a repressão não vai funcionar como distracção do verdadeiro cerne: denunciar o genocídio e a ocupação.
Na ocasião, a organização informou que o processo da Guarda Civil movido contra Bruno Lopes Teixeiro tem por base uma série de publicações anti-sionistas nas suas redes sociais particulares, tendo denunciado o facto como «um claro ataque à liberdade de expressão e uma tentativa de criminalizar a solidariedade».
A este propósito, esclareceu que o processo não se baseia em nenhuma denúncia de um particular ou entidade, mas parte da Guarda Civil, evidenciando que, «num cenário de genocídio, o Estado espanhol põe as suas forças policiais a monitorizar perfis pessoais de activistas e militantes que se opõem precisamente a esse genocídio».
Na mesma conferência de imprensa, os representantes do Mar de Lumes garantiram que, «se o objectivo é fazer alastrar o medo, não o vão conseguir».
Política de perseguição a quem dá voz à Palestina
Por seu lado, o visado pelo processo sublinhou que «esta denúncia se enquadra numa política de perseguição a quem dá voz à causa palestiniana, como aviso a navegantes, enquanto as redes sociais estão cheias de contas que aplaudem a limpeza étnica que Israel leva a cabo na Palestina e reclamam mais bombardeamentos e mais mortes».
Tal como o fez ontem na manifestação de Ferrol, Bruno Lopes criticou então o facto de se misturar de forma deliberada os conceitos de «anti-semitismo» e de «anti-sionismo», algo que – disse – pretende fazer «passar por ódio contra os povos semitas o que não é mais que a crítica legítima a uma ideologia supremacista e racista que dá sustento ao genocídio na Palestina».
O membro do Mar de Lumes – Comité Galego de Solidariedade Internacionalista lembrou ainda que o seu processo não é um caso isolado, tendo em conta as muitas multas e julgamentos contra pessoas que participaram nos protestos, no Estado espanhol, contra a presença de uma equipa de ciclismo israelita na Volta espanhola; as detenções de pessoas em manifestações populares anti-sionistas, e o quadro de criminalização da causa palestiniana em vários estados europeus.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
