«Tirem as mãos da Venezuela», «Libertem Maduro», «Sequestrados pelo império, libertem-nos já!», diziam os cartazes levados por centenas de pessoas na marcha até à Embaixada dos EUA em Pretória, capital da África do Sul, na semana passada.
Numa acção de solidariedade em que os participantes agitavam a bandeira venezuelana e bandeiras vermelhas com a foice e o martelo, Solly Mapaila, secretário-geral do Partido Comunista Sul-Africano (PCSA), condenou os EUA como um «Estado pária».
Com um «idiota» agora no comando, disse em alusão a Donald Trump, o «imperialismo americano» transformou-se «numa nova forma de colonialismo tão descarada, tão nua e crua», criticou Mapaila, citado pelo Peoples Dispatch.
Agora está a «intimidar toda a gente», afirmou o dirigente comunista, lembrando que, depois de atacarem a Venezuela, os EUA ameaçaram com acções militares Cuba, Colômbia, México e até a Gronelândia, e chegaram a apreender um petroleiro russo para reforçar o bloqueio à Venezuela. Neste sentido, Mapaila insistiu que os EUA são «o principal desestabilizador da paz mundial».
«Estado gangster»
O líder estudantil Tariq Lala disse ao discursar na mobilização: «Estamos aqui hoje para declarar o nosso apoio público aos povos da Venezuela, Cuba, Irão e a qualquer povo amante da paz ameaçado pelo regime "fascista" que se instala em Washington.»
Condenando o «Estado gangster», Muhammed Desai, da Internacional Antifascista (capítulo da África do Sul), advertiu os EUA que vão enfrentar «muitos outros protestos nos próximos dias e semanas».
Os EUA «nem sequer falam com ambiguidade, estão a dizer claramente que querem tomar os recursos da Venezuela», disse um activista da Africa4Palestine à Newzroom Afrika. A acção militar norte-americana sem a aprovação da ONU ou mesmo do seu próprio Congresso é um «indício de coisas muito piores para vir», afirmou, sublinhando a necessidade de «começar a construir organizações de trabalhadores para resistir a este tipo de acções».
«Ontem, Afeganistão, Iraque, Líbia; hoje, Cuba e Venezuela; amanhã, pode ser qualquer um de nós»
A maior federação sindical da África do Sul, o Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos (COSATU), integrou a coligação que promoveu a iniciativa em Pretória.
«Este protesto não é apenas sobre a Venezuela; trata-se de defender o direito internacional, a soberania nacional e o direito do povo a determinar o seu próprio futuro sem bombas, sanções, sequestros ou ingerência externa dos EUA», destaca a declaração conjunta dos promotores, citada pelo Peoples Dispatch.
Ao intervir no protesto, em que se condenou o rapto do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, no passado dia 3 de Janeiro, o secretário-geral do PCSA alertou para armadilhas que descreveu como «propaganda da CIA» e apelou à solidariedade incondicional com o movimento bolivariano e os seus líderes.
Solidariedade com Cuba
Prestando homenagem aos soldados venezuelanos e cubanos que morreram em combate defendendo Maduro de uma das forças especiais de elite dos EUA, Mapaila agradeceu «ao governo cubano por defender sempre o socialismo em todo o mundo».
Mapaila referiu-se aos soldados cubanos como «patriotas que morreram noutras terras, incluindo a nossa própria terra no continente africano», e recordou que combateram «na Argélia, onde defendiam a revolução argelina, em Angola, onde defendiam a revolução angolana, que levou à libertação da África do Sul, da Namíbia e do resto» da região da África Austral.
Com Trump agora a ameaçar Cuba e a intensificar o esforço de várias décadas para asfixiar a sua economia com um bloqueio, Mapaila declarou: «Ao camarada Miguel, presidente de Cuba, dizemos: mantém-te firme. Continuamos contigo.»
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