Na sua conta de Twitter (X), Lula da Silva revelou ter mantido, na quinta-feira, conversas telefónicas com Gustavo Petro, presidente da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, presidente do México, em que os interlocutores expressaram preocupação com as acções militares recentes dos EUA contra a Venezuela, encaradas como violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e um risco perigoso para a paz e a segurança regionais.
No diálogo com o presidente colombiano «sobre a situação na Venezuela», ambos os chefes de Estado manifestaram «grande preocupação com o uso da força contra um país sul-americano», alertando para «o precedente perigoso» que a acção abre para a ordem internacional.
Os dois presidentes concordaram que «a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano».
Lula da Silva informou também Petro de que o Brasil irá enviar, a pedido do governo bolivariano, 40 toneladas de insumos e medicamentos, «de um total de 300 toneladas já arrecadadas», para ajudar a reabastecer o stock de produtos essenciais para diálise que foram atingidos pelos bombardeamentos norte-americanos de 3 de Janeiro.
Na mesma publicação na rede social, Lula revelou que Brasil e Colômbia reafirmaram a intenção de continuar a cooperar a favor «da paz e da estabilidade na Venezuela», país com o qual partilham extensas fronteiras.
Rejeição da divisão do mundo em zonas de influência
Numa outra publicação na conta oficial de Lula da Silva, este deu conta do contacto telefónico mantido, também na quinta-feira, com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, em que ambos repudiaram «os ataques contra a soberania venezuelana» e rejeitaram «qualquer visão» que implique a «divisão do mundo em zonas de influência», que consideram «ultrapassada».
Neste contexto, ambos os chefes de Estado reafirmaram «a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio», tendo igualmente vincado o interesse em continuar a cooperar com a Venezuela «em favor da paz, do diálogo e da estabilidade do país e da região».
Lula referiu ainda que convidou Sheinbaum para uma visita ao Brasil e que ambos concordaram em estabelecer cooperação no combate à violência contra a mulher.
Também na quinta-feira, o presidente brasileiro disse ter recebido uma chamada do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na qual trocaram impressões sobre a situação na Venezuela e as suas implicações para a região, e condenaram «o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e no direito internacional».
Lula da Silva destacou que «o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente» pelo seu povo e que a América do Sul deve continuar a ser uma zona de paz.
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