Morreu Maria Isabel Barreno, uma das «Três Marias»

Morreu hoje, aos 77 anos, Maria Isabel Barreno, destacada escritora e investigadora na área dos direitos das mulheres.

Maria Isabel Barreno morreu aos 77 anos
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Nasceu em Lisboa a 10 de Julho de 1939 e licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Era uma defensora dos direitos das mulheres, e, neste âmbito, destaca-se a obra Novas Cartas Portuguesas, da qual foi autora juntamente com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Foi uma das «Três Marias», nome por que ficou conhecido o processo em que foram julgadas pela escrita desta obra de alegado «teor pornográfico», publicada em 1971, durante um regime fascista marcado pela grande subjugação da mulher.

O julgamento durou dois anos e foi seguido de perto pela imprensa e pelos movimentos feministas internacionais, que organizaram manifestações de protesto junto às embaixadas e consulados portugueses em Londres, Paris e Nova Iorque. O julgamento terminou com a absolvição das três escritoras, já após a Revolução de 25 de Abril de 1974, e a obra passou a ter um grande destaque no âmbito da temática dos direitos das mulheres em Portugal.

Trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial, foi jornalista e Conselheira Cultural para o Ensino do Português em França e publicou 24 títulos, entre romance e investigação na área da Sociologia.

A sua obra literária, com vários escritos de um tempo onde poucas mulheres tinham espaço de destaque na cultura, é de sublinhar. A obra de Maria Isabel Barreno vai da Sociologia (publicou Adaptação do Trabalhador de Origem Rural ao Meio Industrial Urbano em 1966; em 1968 foi co-autora do volume A Condição da Mulher Portuguesa, dirigido por Urbano Tavares Rodrigues) ao romance e ao conto, e estende-se ao longo de 20 títulos. De noite as árvores são negras, de 1968, foi o primeiro romance, a que se seguiu, em 1970, Os Outros Legítimos Superiores (Folhetim de Ficção Filosófica), também publicado pela Europa-América. O seu livro de contos Os Sensos Incomuns (1993) recebeu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e o galardão do Pen Club; dois anos antes, o romance Crónica do Tempo venceu o Prémio Fernando Namora.

O  romance Vozes do Vento, publicado após uma pausa de 15 anos na escrita, aprofundaria a matéria biográfica que já havia abordado no anterior O Senhor das Ilhas (1994), ampliando a panorâmica não só sobre essa saga familiar, pessoal, como sobre a aventura colonial, com todas as suas violências e disfunções, e o nascimento de uma nação. Em 2010, editou ainda o livro de contos Corredores Secretos.

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