Segundo um comunicado divulgado ontem, o negócio deverá ficar fechado no primeiro trimestre de 2017, mas a concretização das negociações está ainda sujeita a um processo de «due diligence» (processo de investigação de uma oportunidade de negócio) que agora se abre, e à aprovação por parte das autoridades da concorrência.
A medida constava já do estudo realizado pela Boston Counsulting Group (BCG) com o objectivo de tornar a TAP «mais eficiente». O documento divulgado publicamente no passado mês de Agosto foi, entretanto, caracterizado pela comissão de trabalhadores como uma «declaração de guerra» devido à prevista redução de trabalhadores e da qualidade, alienação de sectores estratégicos e de património.
A notícia deste acordo permite concluir que o estudo está a ser implementado à revelia dos interesses dos trabalhadores da TAP. Não se sabe, no entanto, se o Governo deu o aval a esta operação, nem quais são os valores envolvidos.
A Lojas Francas de Portugal (LFP) é uma empresa com lucros acima dos oito milhões de euros por ano, que contribuía para os resultados do grupo TAP, vendida pela administração da companhia aérea no âmbito da estratégia seguida pelos seus accionistas privados de capitalizar a empresa através dos seus próprios activos (abdicando de receitas futuras para entradas imediatas de capital). Entretanto, surgem informações de que uma parte desse capital está a ser utilizado na valorização dos activos de outras empresas, como a Azul.
O ataque à companhia, que ainda não perdeu a bandeira nacional, surgiu com a privatização da ANA pela Vinci. Tal como sucedeu então, coloca-se novamente o risco de a multinacional Vinci ficar numa posição dominante sobre a TAP, que, fruto da privatização da ANA, não tem alternativas a não ser operar nos aeroportos nacionais.
Fundada em 1995, a LFP emprega cerca de 400 trabalhadores e está presente em cinco aeroportos (Lisboa, Porto, Faro, Madeira e Açores), com 29 lojas, servindo também o programa de vendas a bordo da TAP.
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