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Se o preço do petróleo cai, como é que a gasolina aumenta?

Os comercializadores de combustíveis continuam a não reflectir a baixa de preço no valor final pago pelo consumidor, «aumentando as suas margens semana após semana», denuncia a DECO.

Um caminhão de combustível abastece uma Estação de Combustível em Lisboa, Portugal, em 18 de Abril de 2019. A greve dos motoristas de material perigoso terminou esta manhã.
CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

O preço de um barril de petróleo caiu para os 73 dólares, de um pico de 86 dólares registados em Outubro, coincidindo com a rápida subida do preço dos combustíveis. Curiosamente, ao contrário do que afirmava o sector, o preço do combustível continua, regularmente, a aumentar, sem que qualquer novo imposto tenha sido introduzido.

De acordo com os dados da Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE), a DECO Proteste conclui, num artigo publicado no seu site, que apesar da queda no preço do barril, «os consumidores não sentiram uma alteração tão grande no preço dos combustíveis pago nos postos de abastecimento, em especial na gasolina».

«Embora os preços de referência estivessem em rota descendente, as margens de comercialização evoluíram em sentido contrário e aumentaram». Só no caso das últimas três semanas «a descida do preço de referência foi sempre superior à do preço de venda ao público dos combustíveis nos postos de abastecimento». Essa diferença reflecte-se, inevitavelmente, nas margens de lucro dos comercializadores, «que têm crescido de forma contínua nas últimas semanas».

Cai por terra o argumento dos grandes grupos económicos do sector (e dos partidos seus aliados) de que à carga fiscal se deve o actual valor extorsionário dos combustíveis.

A 8 Julho de 2021, a Iniciativa Liberal assumia, despudoramente, que o aumento acelerado do preço dos combustíveis era, na sua quase totalidade, devido ao «peso crescente dos impostos cobrados sobre os combustíveis em Portugal». A verdade é que o preço da matéria prima baixou, a redução dos impostos sobre a comercialização da gasolina e gasóleo está em vigor até dia 31 de Janeiro e, mesmo assim, o custo para o consumidor aumenta.

Em Setembro, PS, PSD, CDS-PP, PAN, CH, IL e a deputada não inscrita Cristina Rodrigues votaram contra o estabelecimento de um regime de preços máximos no gás e de um regime excepcional e temporário de preços máximos dos combustíveis líquidos, propostos pelo PCP.

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