À margem da inauguração da Loja do Cidadão em Fafe, no distrito de Braga, em declarações aos jornalistas, Luís Montenegro meteu em prática a nova linha argumentativa do Governo, assim como do PSD, e afirmou que o país vive um «bom momento».
Numa declaração a fazer lembrar a célebre tirada aquando da sua liderança da bancada parlamentar do PSD durante a troika, quando disse «a vida das pessoas não está melhor, mas a do País está muito melhor», o agora primeiro-ministro voltou a insistir nessa velha tese que contraria a realidade.
«Nós somos um país que está a viver um bom momento, isto não significa desrespeito perante as dificuldades das pessoas, nomeadamente das pessoas que têm necessidade de ir ao SNS, das pessoas que têm filhos na escola que querem cumprir o plano académico, das pessoas que estão numa fase mais adiantada da sua vida e que não querem ficar sós e precisam de ser acompanhadas e das pessoas que vão às bombas de gasolina e gasóleo e abastecem e têm um custo maior do que tinham há um ano», disse o líder do Executivo aos jornalistas.
Desta forma, Luís Montenegro acabou por admitir que, de facto, a vida da esmagadora maioria das pessoas está a ser severamente penalizada, mas num quadro em que os lucros semestrais dos principais bancos superaram os dois mil milhões de euros pelo quarto ano e o sector do grande retalho em Portugal registou ganhos sólidos, com a Sonae a facturar 5,6 mil milhões de euros e a obter um lucro líquido de 123 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, o país vive um «bom momento».
Talvez, por esse motivo, o mesmo disse que Portugal tem tido resultados económicos que são «muito mais significativos» do que na esmagadora maioria dos Estados da União Europeia ao nível do crescimento da economia, algo que não palpável na vida dos trabalhadores, mas sim para aqueles que beneficiam com as opções políticas do Governo.
Desta forma, Luís Montenegro procurou puxar por resultados para combater as polémicas em que membros do seu Governo estão envolvidos e que estão a provocar desgaste e descredibilização no seu Executivo, no entanto acabou por revelar que os problemas estão a intensificar-se e a sua acção governativa teima em não resolvê-los.
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