Um dia depois de se ter discutido o aumento do custo de vida na Assembleia da República, num debate que em nada resultou porque foram todas as propostas chumbadas, a CGTP-IN vincou, mais uma vez, que a luta é o caminho.
Num comunicado enviado à imprensa, a central sindical enquadra o aumento dos preços de bens essenciais, como a habitação, alimentação e combustíveis, num contexto em que os baixos salários são uma realidade e 50% dos trabalhadores aufere valores inferiores aos 1000 euros mensais.
Para a CGTP-IN, esta realidade fica marcada pelo contraste das dificuldades na vida dos trabalhadores com as grandes empresas acumulam lucros recorde. «À boleia da política de juros do BCE, a banca ganha nos créditos à habitação e nas comissões, com lucros líquidos diários que passaram dos 4 milhões de euros em 2021 para os 14 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026; a GALP ganha com a subida dos combustíveis, que mesmo antes de impostos, são os quartos mais elevados da UE, com lucros diários a ultrapassarem os 4,5 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, quase três vezes mais que em 2021; com a subida dos alimentos, ganha a grande distribuição, cujos resultados de dois dos maiores grupos (SONAE e Jerónimo Martins) se cifraram nos 2 milhões de euros por dia nos seis primeiros meses deste ano», denuncia a Intersindical Nacional.
Enquanto esse contraste se aprofunda, no entender da CGTP, o Governo mantêm as condições «desta colossal apropriação e acumulação da riqueza de uma minoria de grandes grupos económicos e seus accionistas», assim como impede as respostas necessárias a quem mais dificuldades passa.
É neste sentido que é criticada a medida do Executivo relativa à redução do IRS que «não têm qualquer efeito, uma vez que os seus salários são tão baixos que os colocam fora da aplicação do imposto». De acordo com os cálculos, um trabalhador que viva sozinho e receba uma remuneração mediana verá uma poupança anual de 12,10 euros, ou seja, 1 euro por mês.
Face à inércia do Governo, a CGTP-IN exige o aumento geral e significativo de todos os salários em pelo menos 15%, num valor não inferior a 150 euros, bem como a fixação do Salário Mínimo Nacional nos 1100 euros a 1 de Janeiro de 2027, assim como a fixação de preços máximos nos bens e serviços essenciais, nos alimentos, nos combustíveis e nas rendas da habitação, bem como que os lucros da banca.
A Intersindical Nacional integra o contexto denunciado e as suas propostas no Mês de Acção, Mobilização e Luta, que teve início no dia 17 de Setembro, com acções nas empresas e nos locais de trabalho, em todos os sectores, por todo o País, dá expressão a estas reivindicações, assim como dará a Manifestação Nacional, descentralizada, em Lisboa, Porto e Coimbra, do próximo dia 17 de Outubro, com o lema «Mais salário, melhores pensões e serviços públicos. Contra o aumento do custo de vida. Novo rumo para Portugal!».
Nos Açores intensifica-se o combate
A CGTP-IN/Açores, reunida em Angra do Heroísmo, analisou a situação dos trabalhadores açorianos e alertou para os processos de privatização em curso, nomeadamente da SEGMA, GLOBALEDA, Azores Airlines e do serviço de handling da SATA. A estrutura sindical entende que estes processos colocam em causa o interesse público regional e não salvaguardam os direitos dos trabalhadores e têm sido conduzidas sem transparência.
A estrutura sindical defende que a natureza pública destas empresas é a única garantia de que serve o desenvolvimento social e económico dos Açores, recordando que a SEGMA é rentável e essencial, a GLOBALEDA é crucial para as telecomunicações e a protecção civil, e a SATA é economicamente viável.
Além destes alertas, a CGTP-IN/Açores afirma ainda que a privatização aumentaria a despesa pública e fragilizaria serviços essenciais. No que diz respeito à Segurança Social a mesma manifesta preocupação com as vontades «reformistas» do Governo que procura abrir caminho a fundos privados de pensões e ao aumento do tempo de trabalho.
Foi neste contexto que a central sindical apresentou o Caderno Reivindicativo dos Trabalhadores Açorianos e uma petição de forma a trazer o tema ao debate político e criticando o governo regional e as forças políticas que o suporta.
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