Sob o lema «Para transformar o Chile, nem um peso a menos para a educação», estão previstas marchas e outras acções de protesto em todo o país austral contra a ameaça de grandes cortes orçamentais no sector por parte do governo de José Antonio Kast.
Segundo refere o portal biobiochile.cl, os jovens estão a procurar mobilizar outros agentes do mundo da educação e outros sectores sociais, tendo-se reunido com a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), a Coordenadora Feminista 8M e grupos de trabalhadores da educação.
A Confech espera ainda concretizar em breve encontros com estudantes do ensino secundário e organizações da educação pré-escolar. A sua principal reivindicação é que os recursos destinados à educação pública não sejam reduzidos.
A organização estudantil questionou a falta de vontade de diálogo por parte da responsável da tutela, María Paz Arzola, e do governo em geral, por não ter querido ouvir as suas reivindicações e propostas.
Laura Mlynarz, presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile e representante nacional da Confech, exigiu à ministra Arzola que defenda o orçamento da sua pasta, em vez de o entregar numa bandeja ao ministro das Finanças, Jorge Quiroz.
«Se o governo insistir em ignorar os estudantes, encontrar-nos-á unidos e mobilizados em todo o Chile», disse.
Austeridade a eito
O presidente Kast e o ministro Quiroz propõem, para 2027, uma política «rigorosa de austeridade» em vários ministérios, incluindo o da Educação.
Alguns programas considerados vitais nesta pasta poderiam sofrer uma redução até 15%, e outros correm o risco de desaparecer por completo, refere a Prensa Latina.
No ensino superior, propõem-se rever e ajustar as verbas que permitem aos jovens de baixos rendimentos ingressar na universidade. Estão também em risco o subsídio para a gratuitidade e o contributo institucional às universidades estatais.
Especial preocupação geram as propostas destinadas a acabar com certos programas ou a impor-lhes restrições severas, nomeadamente ao Programa de Alimentação Escolar, à Bolsa Indígena e aos fundos para o desenvolvimento da leitura e da escrita, entre outros.
Orçamento é determinante
Mauricio Bravo, vice-director da Faculdade de Educação da Universidade do Desenvolvimento, defendeu que o orçamento deve contemplar áreas como a educação pré-escolar, a investigação, a formação técnico-profissional e a permanência dos estudantes.
«Financiar o acesso é indispensável, mas também é necessário financiar as condições que permitem aos estudantes permanecer, aprender e obter a licenciatura. O orçamento revela, em última análise, quais são as capacidades que o país deseja reforçar», declarou ao biobiochile.cl.
Por seu lado, Cristóbal Villalobos, académico de Educação na Universidade Católica, defendeu que o debate orçamental é fundamental para determinar a continuidade de políticas implementadas na última década, nomeadamente no que diz respeito ao desenvolvimento da educação pública e à manutenção da lei da inclusão.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui