|SNS

Presidente da República ao ataque (no que toca) ao SNS

Na cerimónia do Juramento de Hipócrates, o Presidente da República, não colocando qual seria a raiz dos problemas do SNS, disse que era necessário «ajustá-lo à nova realidade» relativamente à gestão e actualizá-lo. Restou dizer para o quê e para quem.

CréditosANTÓNIO PEDRO SANTOS / Agência Lusa

O papel do Presidente da República é cumprir e fazer cumprir a Constituição e as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa vão aparentemente nesse sentido, não fosse a situação actual do SNS, um Orçamento do Estado que não lhe deu cobro aos problemas do sector e a sua destruição que muitos querem com as propostas de revisão constitucional. 

Ontem, durante a cerimónia de Juramento de Hipócrates da região Sul, o Presidente da República aproveitou o momento para falar e dissertar sobre a sua visão relativamente ao Serviço Nacional de Saúde. Ao contrário do que a situação talvez exigisse, dada a falta de médicos no SNS, Marcelo Rebelo de Sousa, de uma forma muito redonda, apontou ao caminho que o SNS, a sua ver, deve seguir.

Para o Presidente da República, após uma pandemia, estão criadas as condições para actualizar o SNS. Diz que o SNS «tem uma longa história e rica história mas o mundo mudou, a Europa mudou e Portugal mudou», sem especificar bem quais foram essas mudanças e nunca dizendo que foi a natureza do SNS que garantiu o sucesso do combate à Covid-19, mas de uma forma vaga dizendo que «é um bem inestimável».

Marcelo Rebelo de Sousa, que ante as potencialidades do PRR disse que era necessário estabilidade política, não se intrometendo, naturalmente na discussão do Orçamento do Estado, apenas se referiu a este dizendo que era «elástico» uma vez que dá margem para vários cenários. É precisamente essa elasticidade que não garante a respostas aos problemas do SNS, algo que nunca é mencionado.

A solução para Marcelo prende-se apenas com a gestão. No discurso disse que é essa outra gestão que irá «proporcionar meios e recursos para aquilo que deve ser uma nova fase» do SNS, sem se referir à necessidade de investimento. Numa tentativa de apaziguar contradições insanáveis, o Presidente da República diz «que devemos desejar todos nós, independentemente de sermos de um setor, de um quadrante, de uma orientação, estarmos no poder ou fora do poder» essa alteração que o mesmo deseja. 

Este discurso foi feito um dia depois de uma greve de dois dias dos enfermeiros e numa altura onde se vê graves dificuldades nos Hospitais. Nos últimos meses, várias têm sido as notícias de serviços de urgências fechados e da falta de médicos no sector público.

Tópico