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Populações em vários concelhos continuam sem rede fixa

Três meses após os incêndios de 15 de Outubro, as populações afectadas continuam sem acesso à rede fixa ou à internet. A responsável pela reposição, a Altice, promete que esta «esteja feita a muito breve trecho».

Os grandes incêndios que deflagraram a 15 e 16 de outubro em vários concelhos, sobretudo na região Centro, fizeram 45 mortos, dois desaparecidos, além de 70 feridos, atingindo no total 1500 casas e 500 empresas.
Os grandes incêndios que deflagraram a 15 e 16 de outubro em vários concelhos, sobretudo na região Centro, fizeram 45 mortos, dois desaparecidos, além de 70 feridos, atingindo no total 1500 casas e 500 empresas.CréditosFilipe Farinha / Agência Lusa

Contactados pela agência Lusa, três municípios do distrito de Coimbra (Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra) e quatro do distrito de Viseu (Tondela, Vouzela, Carregal do Sal e Oliveira de Frades) confirmaram que há aldeias que continuam sem qualquer acesso à rede fixa, havendo ainda problemas nas comunicações nas vilas de Oliveira de Frades e da Pampilhosa da Serra.

«A Altice terá dito que iria resolver tudo até ao dia 15, mas não estou certo de que tal aconteça. Continuamos com falhas em muitas povoações e até na vila e na zona industrial», afirmou o presidente da Câmara de Pampilhosa da Serra, José Brito, frisando que já recebeu queixas de vários empresários que «não têm forma de enviar e-mails ou fazer movimentos comerciais».

Em Arganil e Góis sucede o mesmo, com reclamações que as falhas na rede fixa são sistemáticas e que a população afectada é maioritariamente idosa.

Os problemas nas comunicações continuam a sentir-se também em concelhos do distrito de Viseu, em que, de acordo com os municípios, verificam-se «fortes constrangimentos no acesso à internet e ao telefone» e casos de «muitas áreas que ainda não sofreram intervenção». Nos concelhos de Vouzela e de Carregal do Sal também há problemas de comunicações por resolver.

«Mesmo no centro da vila, ainda não existe acesso às telecomunicações, sendo que a população (particulares e coletivos) sentem o impacto no seu quotidiano para solucionar as suas necessidades», referiu à Lusa fonte da Câmara de Oliveira de Frades.

Altice afirma reposição para breve

Numa resposta enviada à agência Lusa, a Altice prevê «que a reposição total dos serviços esteja feita a muito breve trecho», explicando que a operação foi dificultada pela tempestade Ana, «pelas condições topográficas do terreno e pela afectação dos stocks (concretamente postes) da Altice Portugal, já que alguns fornecedores foram também afectados».

No entanto, a empresa sublinhou que a rede física está «reposta em praticamente todos os concelhos do país» afectados  pelos incêndios. 

A Altice afirma ter neste momento «800 operacionais em todo o país centrados nos trabalhos de âmbito da rede local», acrescentou fonte oficial da empresa.

«Um escândalo»

Estas foram as palavras de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, que considerou neste sábado, num almoço em Moimenta da Beira, no distrito de Viseu, «uma situação inaceitável e um escândalo» que, três meses após os incêndios de Outubro, ainda haja pessoas sem comunicações fixas.

«Há três meses que muitas das nossas aldeias devastadas pelos incêndios esperam ligações de comunicação fixas. Três meses sem comunicações é uma situação inaceitável e um escândalo! », declarou o dirigente comunista, apontando o dedo à PT/Altice e aos grandes grupos económicos, que considerou «apenas determinados pela obtenção do lucro máximo, negligenciando as necessidades e interesses das populações».


Com agência Lusa

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