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Habitantes da aldeia, na Sertã, estão sem telefone fixo ou rede de telemóvel

Mulher morre sem auxílio onde a Altice ainda não repôs comunicações

Uma mulher morreu em casa enquanto o marido caminhava dois quilómetros para conseguir fazer uma chamada telefónica, numa aldeia da Sertã. O episódio dramático confirma denúncias de abandono das populações pela Altice.

CréditosPAULO NOVAIS / LUSA

O óbito terá ocorrido na passada semana, de acordo com a Rádio Condestável, no Vale de Ameixoeira (Macieira), freguesia de Troviscal (Sertã). O facto de ainda não estarem reestabelecidas as comunicações na zona e de não existir rede de telemóvel terá sido determinante, já que o marido da vítima teve de caminhar cerca de dois quilómetros para pedir auxílio.

Já no final de 2017 se tinha verificado uma situação idêntica, em que o marido se sentiu mal e a esposa percorreu a mesma distância para pedir ajuda de um médico.

A situação não é nova, mas assume agora contornos de tragédia. A confirmação de uma vítima mortal põe a nu as consequências da privatização da Portugal Telecom (actual Altice Portugal) e a entrega de um sector tão sensível como as telecomunicações aos privados.

Em reacção, a Altice argumenta que já refez 99,5% das ligações cortadas pelos fogos. Quatro meses depois, a empresa justifica o atraso com a dificuldade em contactar com alguns clientes que, recorde-se, ficaram sem telefone fixo e, nalguns casos, vivem em zonas sem rede de telemóvel.

Têm ainda sido noticiadas tentativas por parte da Altice de, à boleia da substituição da rede de cobre por fibra óptica, impor pacotes que incluem televisão a clientes que apenas tinham telefone fixo, com mensalidades mais elevadas.

O tema já foi levado à Assembleia da República pelo secretário-geral do PCP, num dos últimos debates quinzenais. Na altura, como agora, a Altice isentou-se de quaisquer responsabilidades, atirando-as ora para os clientes, ora para a NOS, com quem o Estado assinou o contrato de serviço público em 2014.

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