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|Assembleia da República

«Pontas soltas». Explicações de Luís Neves não evitam ida ao Parlamento

Declarações «tardias» e «pontas soltas» a exigir mais esclarecimentos na Assembleia da República são algumas das observações à prestação do ministro da Administração Interna.

Créditos Filipe Amorim / Agencia Lusa

O PCP considerou que há «pontas soltas» nos esclarecimentos prestados esta quarta-feira pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre as polémicas em que tem estado envolvido, e quer ouvi-lo na Assembleia da República. Esta posição foi transmitida aos jornalistas pelo dirigente do PCP António Filipe, no Parlamento, na sequência da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Questionado se Luís Neves tem condições para se manter no cargo, o dirigente comunista remeteu a questão para a exclusiva responsabilidade do primeiro-ministro e sugeriu que Luís Montenegro está numa situação «relativamente fragilizada» para exercer «exigência ética» sobre os membros do Governo PSD/CDS-PP, pelos seus negócios familiares e pela «ocultação de obrigações declarativas».

António Filipe defendeu que as explicações dadas hoje por Luís Neves «não substituem a necessidade de, na Assembleia da República, o ministro da Administração Interna ter de se submeter às questões que sejam colocadas pelos deputados», quando for possível, admitindo que as declarações do ministro foram «manifestamente tardias» e deixaram «pontas soltas que manifestamente carecem de um maior esclarecimento». 

Também o coordenador do BE, Manuel Pureza, considerou que os esclarecimentos são «evidentemente tardios» e que o país «quer documentação». «Os esclarecimentos prestados tinham de ser mais cabais e não apenas cingidos a esta interpretação de factos. Em primeiro lugar exige-se que o MAI apresente ao país documentação que comprove a sua versão dos factos mais importantes que sublinhou», sustentou o dirigente bloquista.

Sobre as obras na casa do ministro [com recurso a uma empresa que fez várias obras para a Polícia Judiciária (PJ) durante os mandatos de Luís Neves] e o incumprimento das suas obrigações declarativas, António Filipe admitiu que «há no mínimo uma grande ligeireza». No caso do atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga que foi transportado para armazenamento nessa mesma empresa, a Construbarcelos, com o ministro a admitir que foi um «acto de boa gestão» que poupou muito dinheiro ao Estado, António Filipe manifestou «uma grande incompreensão quanto à impossibilidade de se encontrar uma solução no âmbito do Estado». «É um acto de gestão que, de facto, não se compreende», comentou.

Com uma perpectiva diferente, o Livre, através do deputado Paulo Muacho, apontou como positivo que Luís Neves «tenha esclarecido parte das questões e que tenha explicado concretamente várias das matérias» e referiu que o ministro «terá oportunidade» de prestar mais esclarecimentos em audição parlamentar. «Será uma oportunidade para esclarecer dúvidas que não estejam ainda esclarecidas de todos os grupos parlamentares e entendemos que, no fundo, a matéria deve terminar por aí», afirmou.

Após uma reunião com o primeiro-ministro, prévia à conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, o secretário-geral do PS, Luís Carneiro, considerou que a autoridade de Luís Neves está fragilizada e que o governante deve prestar declarações no Parlamento, «tão breve quanto possível».

Com agência Lusa

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