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PEV: Só há recuperação económica sem impactos ambientais

O Conselho Nacional do PEV fez a radiografia da crise económica, social e de saúde pública e alertou para o impacto de opções como o aeroporto do Montijo ou os incentivos à agricultura intensiva.

CréditosNuno Fox / Agência Lusa

«Os Verdes reafirmam que a visão estratégica para a próxima década, traduzida no Plano de Recuperação e Resiliência, é mais uma oportunidade perdida e pode traduzir-se num erro irreversível, se se procurar recuperar a economia através de opções que provocam grandes e graves impactos ambientais e cujos contributos para o desenvolvimento do País são mais do que duvidosos», lê-se no comunicado divulgado após reunião do Conselho Nacional do Partido Ecologista «Os Verdes», no sábado. 

O aeroporto do Montijo, os incentivos às culturas intensivas e super intensivas, nomeadamente do olival e amendoal, e a mineração em mar profundo são alguns dos exemplos que o PEV denuncia como más opções para o País. 

Atendendo a que a destruição de ecossistemas «gera mais vulnerabilidades no território, com repercussões ambientais, sociais e económicas», a estratégia para o futuro «tem de assentar, sobretudo, em opções sustentáveis para os territórios e para a conservação da natureza».

A visão estratégica para a próxima década, traduzida no Plano de Recuperação e Resiliência, vai, segundo o PEV, «continuar a acentuar a dicotomia urbano-rural» onde, frisa, «está bem patente um desinvestimento perpétuo no Interior do País», visível, por exemplo, ao nível dos transportes públicos, «onde não há perspectivas de investimento real e significativo».

«Os Verdes» valorizam as propostas para a electrificação e expansão do transporte ferroviário, mas criticam a reconversão do Ramal da Lousã numa linha de autocarros eléctricos (Sistema de Mobilidade do Mondego), salientando tratar-se de «um erro que contraria grosseiramente a visão traçada no plano».

Tal como denunciou o deputado José Luís Ferreira no Parlamento, na passada quinta-feira, e o Conselho Nacional do PEV acentua, a agricultura familiar não vem contemplada no plano delineado pelo Governo de António Costa, apesar de, refere-se no texto, esta ser uma matéria que se cruza com a coesão territorial.

A par de outras questões, como o início do ano lectivo ou as estruturas residenciais para idosos, o Conselho Nacional do PEV debruçou-se sobre a situação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo sublinhado a necessidade de reforçar, entre outros, o investimento em pessoal e nos cuidados de saúde primários, reabrindo unidades de saúde encerradas e alargando horários que foram reduzidos, destacando também a necessidade de intervenção ao nível da saúde mental. 

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