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Paulo Raimundo. «Enquanto uns impõem sanções, Cuba dá tudo o que pode»

O secretário-geral do PCP condenou esta sexta-feira o «criminoso embargo» e as «inaceitáveis ameaças» a Cuba, criticando os partidos que na Assembleia da República «foram o megafone» de Washington.

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Paulo Raimundo aproveitou o debate no Parlamento, que resultou da iniciativa do PCP, para condenar o «recrudescimento do bloqueio» e as «ameaças de agressão militar» proferidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra Cuba, classificando de «criminoso» o bloqueio com que os EUA sufocam a maior ilha das Antilhas. 

«Um desumano e criminoso bloqueio e inaceitáveis ameaças que, numa flagrante violação dos princípios da Carta da ONU e do direito internacional, atentam contra a soberania e os direitos do povo cubano», declarou Paulo Raimundo, recordando que este «crime» tem sido sucessivamente denunciado na Assembleia-Geral das Nações Unidas «pela esmagadora maioria dos países incluindo, e bem, por Portugal».

O líder do PCP sublinhou o contraste entre a reacção europeia às recentes medidas tarifárias de Washington e a longa resistência cubana. «Quando a inenarrável administração Trump decide aumentar as tarifas à União Europeia ficam todos à beira de um ataque de nervos. Agora, cada um que pense o que é enfrentar um criminoso bloqueio, que impede um povo de adquirir comida, medicamentos, combustíveis ou de realizar transações económicas e comerciais com outros países», afirmou, frisando que esta é a realidade de Cuba há mais de 60 anos.

Para sustentar a sua argumentação, Paulo Raimundo recuperou as palavras de Lester D. Mallory, subsecretário de Estado dos EUA em 1960, que defendeu o uso de «todos os meios possíveis» para «enfraquecer a vida económica de Cuba», «uma linha de acção que [...] alcance os maiores avanços na privação de Cuba de dinheiro e mantimentos, a fim de reduzir os seus recursos financeiros e salários reais, provocar fome, desespero e o derrube do Governo».

«E assim tem sido desde dessa altura», acrescentou Raimundo, «com um cruel bloqueio que visa atingir, precisamente, as condições de vida de um povo, que não abdica da sua soberania e direitos». 

O secretário-geral do PCP contrastou ainda a postura norte-americana com a actuação de Cuba, salientando que «enquanto uns impõem bloqueios, sanções, guerra e exploração, Cuba dá tudo o que pode em solidariedade e cooperação com os povos», lembrando «as centenas de portugueses que foram a Cuba tratar problemas de saúde» e «os italianos, que receberam equipas médicas para tratar da covid-19».

Paulo Raimundo saudou «o exemplo de dignidade, de determinação e de unidade do povo cubano em defesa da sua pátria e da sua Revolução» e afirmou que a «solidariedade com o povo cubano é um dever de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia, da paz e do direito internacional».

E deixou um aviso: «Solidariedade para com o povo cubano e a inequívoca condenação do bloqueio e agressão a Cuba por parte dos EUA – esta é a única posição admissível deste Parlamento, mas também de um governo de um país que aspira a ter um lugar no Conselho de Segurança da ONU.»

O líder comunista censurou ainda partidos, como o CDS-PP e o Chega, que no debate se recusaram a condenar o embargo norte-americano, acusando-os de serem porta-vozes e o «megafone» dos EUA. 

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