Num comunicado divulgado esta terça-feira, a comissão afirma ter documentado 4113 ataques desde o início do ano até ao fim de Julho – um aumento de 1589 casos em relação ao mesmo período do ano passado, em que haviam sido registados 2524 incidentes.
De acordo com a comissão, os ataques dos colonos israelitas este ano superaram sistematicamente os níveis registados nos meses correspondentes de 2025, o que aponta para a intensificação e o ritmo crescente das agressões.
O texto, a que o portal palinfo.com faz referência, indica que em Junho e Julho se registaram mais casos de violência (748 e 798, respectivamente), e compara estes dados com os verificados nos mesmos meses do ano passado, em que se deram 442 e 466 ataques.
Para o organismo, estas agressões não podem ser tratadas como incidentes isolados, mas como parte daquilo que classifica como um «ambiente político, de segurança e jurídico favorável», que se reforçou desde a formação do governo de extrema-direita de Israel, no final de 2022.
Esta escalada coincidiu com a expansão dos colonatos, o armamento dos colonos e a integração de alguns deles nas forças de segurança da ocupação, refere a entidade, destacando igualmente a protecção militar e a impunidade crescente de que os colonos gozam ao perpetrarem os seus «crimes» contra a população palestiniana.
O texto destaca ainda a crescente sobreposição funcional entre o exército israelita e os colonos na imposição de um controlo territorial e na restrição do acesso dos palestinianos às suas terras e meios de subsistência.
Alerta que as «posições internacionais hesitantes» e as «fracas medidas de dissuasão e responsabilização» contribuíram para transformar os ataques dos colonos, antes incidentes isolados, numa «ferramenta organizada para impor novas realidades geográficas», forçando as comunidades palestinianas a deslocar-se.
Ataque a uma equipa da AFP
Um grupo de colonos israelitas atacou, esta terça-feira, uma equipa de reportagem da AFP composta por três pessoas na aldeia de Jannatah, perto de Belém, na Cisjordânia ocupada, ferindo pelo menos cinco pessoas e danificando veículos de jornalistas e activistas de solidariedade com a Palestina, indica a Al Mayadeen.
A equipa deslocou-se a Jannatah para cobrir a solidariedade de activistas israelitas a palestinianos que estão a ser assediados pelos colonos, depois de estes terem bloqueado ruma estrada na região.
Na sequência de um confronto entre colonos e activistas, as tropas da ocupação ordenaram aos jornalistas que abandonassem aquilo a que chamaram «zona militar fechada». Depois, chegaram mais carros com colonos, com paus e pedras.
A Sociedade do Crescente Vermelho Palestiniano prestou assistência a cinco feridos. Os jornalistas da AFP afirmaram ter visto pelo menos um activista israelita a ser levado numa ambulância palestiniana.
O ataque desta terça-feira, destaca a Al Mayadeen, enquadra-se no aumento documentado de agressões de colonos à imprensa desde o início da ofensiva genocida levada a cabo por Israel na Faixa de Gaza, em Outubro de 2023.
A agressão não é a primeira a atingir directamente a AFP, uma vez que, a 10 de Outubro de 2025, quatro jornalistas palestinianos que trabalhavam para a AFP, a Quds News Network, a Al-Ghad TV e a Al-Fajr TV foram agredidos e ficaram feridos em Beita, quando cobriam um ataque de colonos a agricultores palestinianos.
Um mês depois, a 8 de Novembro, um grupo de colonos armados regressou a Beita e atacou cerca de uma dezena de jornalistas que cobriam a apanha da azeitona, destruindo equipamento e deixando seis com ferimentos graves.
Organizações de defesa dos jornalistas registaram um aumento considerável de ataques a jornalistas na Margem Ocidental ocupada em 2025, coincidindo com o panorama mais geral da intensificação da violência dos colonos israelitas.
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