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MURPI: Só acelerando a vacinação se combate a pandemia

A Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) reclama do Governo medidas urgentes para recuperar o atraso na vacinação contra a Covid-19 e contesta o aumento das desigualdades.

CréditosPaula Borba / Câmara Municipal de Setúbal

Na Assembleia Geral do MURPI realizada esta quinta-feira em Lisboa, com partipantes também do Porto, Leiria, Santarém, Setúbal e Évora, foram aprovadas duas moções onde se expõem inquietações relativas à pandemia e às medidas adoptadas para a combater, e se recorda, 47 anos depois da Revolução dos Cravos, o papel que muitos deles assumiram no combate ao fascismo. 

«Fomos vítimas da exploração e da miséria, sofremos as consequências da Guerra Colonial e construímos Abril», lê-se num dos documentos, onde se alerta para a necessidade de impedir que sejam os reformados as «principais vítimas das nefastas consequências económicas e sociais da crise» provocada pelo surto do novo coronavírus. Ao mesmo tempo denuncia que, a pretexto da defesa da saúde dos mais vulneráveis, acentuam-se as desigualdades e o isolamento no acesso a bens e serviços essenciais.

O MURPI assinala o êxito no fabrico de vacinas «em tempo recorde» e o financiamento público disponibilizado pelos vários países, salientando que a descoberta «deve pertencer ao património da humanidade». 

Neste sentido, diz ser «inadmissível» que, a pretexto do pagamento dos custos da sua produção, as multinacionais farmacêuticas «procurem acrescentar milhares aos seus lucros», privando deste modo o acesso à sua utilização e aplicação em larga escala para limitar a propagação da doença e assim poupar milhões de vidas.

«Além de injusto e imoral é um crime toda a lógica que procure mercantilizar o valor das vidas em todo o planeta, agravando ainda mais a situação sanitária mundial», constata a Confederação, salientando a necessidade da retirada urgente das patentes a fim de generalizar a produção e promover a utilização livre de todas as vacinas, comprovadamente seguras. 

Tendo em conta o atraso do plano nacional de vacinação contra a Covid-19, «decorrente do sequestro das vacinas praticado pela grande indústria farmacêutica, que busca milhares de milhões de lucros», o MURPI reclama do Governo medidas urgentes, onde se inclui a possibilidade de recorrer à aquisição de outras vacinas comprovadamente eficazes produzidas fora da União Europeia e dos EUA.

Os presentes no encontro da passada quinta-feira defendem a importância de «continuar a luta para retomar a vida associativa» e de o Estado assegurar os apoios logísticos e financeiros que permitam reabrir as associações de reformados e os equipamentos sociais de forma segura, permitindo o convívio e o desenvolvimento das actividades culturais e lúdicas necessárias para o reforço e a coesão dos reformados, pensionistas e idosos.

Insistem continuar a luta pela defesa das medidas inscritas no Caderno Reivindicativo para 2021, como a valorização das pensões e rendimentos, o combate à pobreza e à exclusão social, e a luta pelo direito à saúde. 

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