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|Reino Unido

Activistas pró-Palestina condenados a mais de 20 anos de cadeia no Reino Unido

Quatro membros da organização anti-genocídio Palestine Action foram condenados por terem sabotado, em 2024, uma instalação israelita de fabrico de drones no Reino Unido.

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Créditos Guy Smallman / The Cradle

O juiz britânico Jeremy Johnson condenou quatro activistas da organização Palestine Action a penas de prisão que, somadas, ultrapassam os 20 anos.

Ao proferir a sentença – relacionada com uma acção de protesto levada a cabo em 2024 contra uma instalação da empresa militar israelita Elbit Systems –, o juiz afirmou que um «factor agravante» na sua decisão de condenar os activistas foi o facto de estes terem uma «ligação ao terrorismo».

Em Agosto de 2024, os quatro membros da Palestine Action invadiram as instalações de investigação e desenvolvimento da Elbit Systems em Filton, perto de Bristol, provocando mais de um milhão de libras (cerca de 1 158 000 euros) em danos, na tentativa de encerrar essas instalações.

A sede da Elbit em Filton concebe drones tácticos quadricópteros multi-rotores para as Forças Armadas Britânicas e a NATO. A Elbit produz os mesmos drones em Israel para depois os utilizar na Faixa de Gaza, com as forças de ocupação a usarem-nos frequentemente para matar homens, mulheres e crianças palestinianas com tiros directos na cabeça e no peito, recorda o portal The Cradle.

A mesma empresa fabrica os drones Hermes de Israel, que são usados para vigilância e para realizar ataques aéreos contra civis na Faixa de Gaza e no Líbano.

Durante a acção em Filton, os activistas usaram uma carrinha prisional adaptada como aríete para derrubar os portões de segurança do recinto. Depois, recorreram a marretas e pés-de-cabra para destruir o espaço interior, computadores e componentes de drones militares.

Além disso, enfrentaram os elementos da segurança privada e os agentes da polícia que acorreram ao local para proteger as instalações da Elbit.

Condenação de quem se opõe ao genocídio em Gaza

A sentença proferida esta sexta-feira foi decretada um mês depois de os quatro activistas terem sido condenados por danos criminais no Tribunal da Coroa de Woolwich. O grupo tinha sido absolvido anteriormente das acusações de roubo qualificado. 

Samuel Corner, de 23 anos, foi condenado a sete anos e oito meses de prisão, com o juiz a argumentar que teve um comportamento «extremo e gratuito» ao agredir um polícia com uma marreta.

Leona Kamio e Charlotte Head, ambas de 30 anos, foram condenadas a cinco anos, enquanto Fatema Zainab Rajwani, de 21 anos, foi condenada a quatro anos e oito meses. Todos os condenados terão de cumprir um ano adicional em liberdade condicional depois de saírem da cadeia.

A acção levada a cabo pelos membros da Palestine Action contra a Elbit está directamente relacionada com o genocídio que as forças sionistas provocam na Faixa de Gaza desde Outubro de 2023 e que, de acordo com dados do Ministério palestiniano da Saúde, já provocou 72 996 vítimas mortais e 173 246 feridos. Organizações independentes apontam para um número de mortos bastante maior.

A Palestine Action foi proscrita ao abrigo da lei contra o terrorismo do Reino Unido, embora o Tribunal Superior de Londres tenha considerado que essa decisão era ilegal. O grupo continua proibido, à espera do recurso que o executivo de Starmer, firme aliado de Israel, deverá apresentar.

Protestos contra a decisão

Segundo refere a fonte, um grupo de cem personalidades assinou uma carta aberta de apoio aos activistas anti-genocídio.

«Os danos criminais nunca foram tratados como terrorismo no sistema judicial do Reino Unido, e é perigoso tratá-los da mesma forma», afirmou Kerry Moscogiuri, representante de uma organização não governamental no Reino Unido.

«É completamente desproporcional punir os manifestantes por danos criminais como se fossem terroristas, uma sentença que os acompanhará para o resto da vida», frisou.

Enquanto a sentença estava a ser proferida, a polícia prendeu mais de cem pessoas que se tinham juntado nas imediações do tribunal, no âmbito de uma manifestação mais ampla de apoio à Palestine Action e aos quatro activistas detidos.

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