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EDP prossegue alienação de património e vende seis barragens a franceses

O negócio, que vale 2,2 mil milhões de euros, pagos por um consórcio de investidores, depende de aval estatal, que ainda pode fazer valer o interesse público, uma vez que se trata de um sector estratégico.

António Mexia. Foto de arquivo. .
António Mexia. Foto de arquivo. .CréditosMiguel A. Lopes / Agência LUSA

O grupo formado pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova quer adquirir as centrais hídricas localizadas na bacia hidrográfica do rio Douro, em Miranda, Bemposta e Picote (que perfazem um total de 1689 megawatts de capacidade instalada) e três centrais de albufeira com bombagem, em Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro, segundo informação enviada, esta quinta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A conclusão do negócio depende de aprovações «societárias e regulatórias», designadamente do Estado português, que tem de expressar o seu consentimento.

Só no ano de 2018, o resultado bruto associado a estes activos foi de 154 milhões de euros, a que se soma a perspectiva de negócio futuro relativo aos mercados de carbono e à redução de emissões, o que explica o apetite pela aquisição destes bens que deveriam estar ao serviço do interesse nacional e das populações. A empresa francesa Engie, que lidera o consórcio, já veio dizer que esta operação «é fundamental para a implementação da estratégia de carbono zero».

Recorde-se que opções políticas de décadas – desde o desenho dos contratos de aquisição de energia em 1996 – visavam conferir garantias de rentabilidade com vista à privatização da empresa, que se veio a concretizar.

No último governo de PSD e CDS-PP, o «memorando de entendimento» com a troika impôs que o Estado alienasse a participação de 25% que ainda detinha na EDP, aprofundando-se o caminho de afastamento do domínio público de uma parcela fundamental do sector energético.

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