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De joelhos, Cotrim pedincha o apoio do PSD a Montenegro

Depois de deixar no ar que numa segunda volta votaria em André Ventura e de se ver envolvido num escândalo de assédio, João Cotrim de Figueiredo publicou um «apelo público» no qual pede o apoio do PSD a Luís Montenegro. No fundo, Cotrim quer ser o candidato do Governo. 

CréditosPaulo Cunha / Agência Lusa

Depois do conceito de annus horribilis ter sido popularizado pela rainha Isabel II em 1992 para descrever um ano de grandes dificuldades para a monarquia britânica, João Cotrim de Figueiredo, à imagem de um bom empreendedor, criou o conceito de segunda semana de campanha horribilis, depois de ter acumulado um conjunto de episódios que em nada o favorecem. 

Na passada segunda-feira, Cotrim de Figueiredo achou por bem dizer que não exclui o apoio a André Ventura numa segunda volta, alegando que o candidato da extrema-direita teve quatro dias de moderação. Se nesse momento as críticas já se acumulavam dado o posicionamento, o dia terminou com o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal foi arrastado para uma acusação de assédio sexual, a qual desmentiu. 

Após um momento atribulado, num quadro em que estava embalado pelas sondagens e grandes órgãos de comunicação social, João Cotrim de Figueiredo adoptou a táctica de se submeter a tudo para conseguir passar a uma segunda volta. 

Esta quarta-feira, o ex-presidente da Iniciativa Liberal e actual deputado ao Parlamento Europeu decidiu rebaixar-se e pedinchar o apoio do PSD a Luís Montenegro. Na prática, Cotrim de Figueiredo ser, oficialmente, o candidato do Governo e fez questão de o demonstrar. 

Desta forma, nas suas redes sociais, João Cotrim de Figueiredo partilhou um «apelo público». «Apelo hoje ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República», lê-se no início do documento. O candidato liberal afirma que há uma suposta possibilidade de António José Seguro e André Ventura irem à segunda volta e a única forma de evitá-lo é haver uma concentração de votos em si: «a minha candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário».

João Cotrim de Figueiredo pede, desta forma, que o PSD deixe de apoiar Luís Marques Mendes e passe a apoiá-lo. O liberal, ao longo da campanha, tem vindo a reclamar para si o legado de Passos Coelho e Sá Carneiro, confirmando, assim, que a Iniciativa Liberal não passa de uma extensão do PSD. 
 

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