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Pescadores atestam abundância na costa portuguesa

Consumo de sardinha em queda acentuada desde 2012

Limitações à pesca da sardinha levaram à redução drástica do consumo nos últimos anos. Pescadores dizem que se está a ir longe de mais nas restrições, já que a espécie abunda na costa nacional.

Um pescador lança rede de pesca no navio «Afrodite», ao largo da costa de Peniche, 2 de Abril de 2015.
Um pescador lança rede de pesca no navio «Afrodite», ao largo da costa de Peniche, 2 de Abril de 2015.CréditosJosé Sena Goulão / Agência LUSA

A informação é do Instituto Nacional de Estatística (INE), citada na edição de hoje do Jornal de Notícias: o consumo de sardinha em Portugal desceu para cerca de um terço do nível de 2012, acompanhando a redução drástica na quota de captura para o nosso país.

Os pescadores ouvidos pelo diário dizem ser os primeiros interessados na produção da espécie, não dependessem da sua sustentabilidade para se sustentarem, mas, alertam, está-se a ir longe de mais. Recorde-se que, para 2018, o Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES, na sigla em inglês) defendeu uma «quota zero», apesar de quem anda no mar argumentar que a sardinha abunda na costa nacional.

Parecer encomendado por Bruxelas ataca pesca da sardinha

No final de Outubro de 2017, o ICES emitiu um parecer pedido pela Comissão Europeia relativo à pesca da sardinha em Portugal e Espanha, defendendo uma quota zero para o próximo ano. Apesar de a definição das quotas de pesca de sardinha não ser competência das instituições da União Europeia, mas conjunta de Portugal e Espanha, estas têm exercido fortes pressões para a redução das capturas de sardinha na costa nacional.

Os representantes do sector (pescadores, armadores e indústria conserveira) já fixaram como mínimo uma quota igual à do ano passado, 17 mil toneladas de sardinha capturada, mas defendem como ideal um limite de 23 mil toneladas – o que assegura uma recuperação mínima de 5% do stock de sardinha e está dentro dos limites apontados pelo próprio ICES.

Indústria conserveira sem matéria-prima

Para além da redução das capturas, o aumento das exportações e a redução das importações, desde 2015, também fizeram o consumo cair de forma acentuada. A indústria conserveira, um dos principais destinos da sardinha, tem substituído a espécie pelo atum nos últimos anos.

A quota de capturas de sardinha na costa portuguesa em 2017 foi fixada em 11,6 mil toneladas. Para este ano, Portugal e Espanha devem acordar uma quota conjunta entre as 13,5 e 14,5 mil toneladas, das quais 66% caberão ao nosso país.

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