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CNA exige apoios imediatos a agricultores afectados pelos incêndios

Agricultores e populações rurais, vítimas dos incêndios, vêem o seu sustento comprometido. Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reclama apoios rápidos e repudia passa-culpas. 

Os grandes incêndios que deflagraram a 15 e 16 de outubro em vários concelhos, sobretudo na região Centro, fizeram 45 mortos, dois desaparecidos, além de 70 feridos, atingindo no total 1500 casas e 500 empresas.
CréditosFilipe Farinha / Agência Lusa

A entidade reconhece que, apesar de o rasto de destruição dos violentos incêndios dos últimos dias ainda não ser inteiramente apurável, dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) permitem ter uma ideia do que já foi consumido pelas chamas. Desde o início deste ano arderam 38 591 hectares, o que supera já, em mais de dez mil hectares, a área ardida em todo o ano de 2021.

«Além dos prejuízos imediatos, os agricultores e as populações rurais vêem comprometido o seu sustento com a destruição do potencial produtivo das suas explorações», alerta a CNA num comunicado divulgado esta sexta-feira, acresentando que, na pecuária, as dificuldades agravam-se com a «destruição das poucas forragens e pastagens que foram escapando à seca».

Neste sentido, reclama o rápido apuramento dos prejuízos provocados e da incapacidade temporária para produzir para que, também de forma célere, sejam definidas medidas de apoio. A Confederação evidencia serem necessárias indemnizações para os agricultores e para as populações rurais com culturas, estruturas e habitações destruídas, bem como apoios para reposição do potencial produtivo perdido e ajudas à alimentação dos animais, além de outras necessidades identificadas no terreno.

Ao mesmo tempo, repudia declarações «que atiram culpas para cima dos pequenos e médios proprietários», alertando que as políticas de prevenção de incêndios, que «continuam sem surtir os efeitos necessários, apesar de muito discutidas após os violentos incêndios de 2017, «devem ser uma prioridade». 

«Se os incêndios voltaram em extensão e intensidade logo que se reuniram determinadas condições atmosféricas, importa desmontar a teoria que alguns governantes têm insinuado em praça pública – como que a sacudir a cinza do capote – segundo a qual a culpa é do clima e dos pequenos e médios proprietários florestais e das populações rurais», lê-se na nota.

Em vez de «culpados», a CNA defende que os pequenos e médios agricultores e produtores florestais «são vítimas de décadas de más políticas agro-rurais, ditadas pela Política Agrícola Comum (PAC)» e por sucessivos governos. Políticas que, acrescenta, incentivando a produção «dita competitiva e industrial», têm expulsado as populações das suas aldeias e das suas serras, «onde hoje progridem monoculturas intensivas que se estendem continuamente por centenas e centenas de quilómetros seguidos».

A Confederação afirma que a extensão e violência dos incêndios rurais se deve à «ruína» da agricultura familiar e exige, além do reforço dos meios de combate, políticas que promovam o ordenamento florestal e a gestão activa da floresta multifuncional e de uso múltiplo, que garantam preços justos e escoamento da produção agro-florestal. 

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