Bruxelas vai financiar redução da produção no sector

CNA denuncia mais incentivos para travar a produção de leite

«Portugal necessita de ajudas, mas para produzir mais e ainda melhor», aponta a Confederação Nacional da Agricultura. Ajuda europeia ao sector leiteiro visa reduzir produção, alertam produtores.

O fim das quotas leiteiras têm motivado protestos do sector
O fim das quotas leiteiras têm motivado protestos do sectorCréditos / Confederação Nacional da Agricultura

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) denuncia, em comunicado, a decisão do Conselho Agrícola da União Europeia (organismo que reúne os ministros da Agricultura) de introduzir novas ajudas para apoiar a redução da produção de leite. A decisão foi tomada no dia 18 de Julho e pretende responder à crise no sector após o fim das quotas leiteiras.

A CNA lembra que, após o fim das quotas, «alguns países como a Irlanda, o Luxemburgo, a Bélgica, a Holanda aumentaram, e bastante, a sua produção de leite, ao contrário daquilo que acontece em Portugal». Os representantes do sector afirmam que «de um ponto de vista estratégico, o nosso país não pode continuar a aceitar ajudas para reduzir a sua produção em bens agro-alimentares».

Desde o fim das quotas leiteiras, os produtores de leite estão numa situação fragilizada, com a queda dos preços a que estão a vender o litro de leite – 26 cêntimos, em média. O custo de produção apontado pela CNA ronda os 33 cêntimos por litro, o que significa um prejuízo de 7 cêntimos por litro.

«Portugal necessita de ajudas, mas para produzir mais e ainda melhor», é a posição assumida pela CNA. A ajuda de 4 milhões de euros, agora anunciada, «não cobre mais que 2% das perdas dos produtores nacionais de leite». Os produtores consideram que o Governo devia duplicar o montante da ajuda europeia e direccioná-la para a manutenção da produção, ao invés da redução pretendida por Bruxelas.