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Cavaco Silva ainda não digeriu o sapo

O antigo Chefe de Estado falou da diminuição do IVA da restauração como factor de degradação do SNS, esquecendo as verdadeiras razões, nomeadamente as privatizações da EDP, REN, PT e o buraco do BPN.

Créditos Pedro Nunes / Agência LUSA
Créditos Pedro Nunes / Agência LUSACréditos

Cavaco Silva, na sua intervenção na apresentação do livro “A Reforma das Finanças Públicas em Portugal”, de Joaquim Sarmento, porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD, demonstrou não só não ter ainda digerido a solução política saída das últimas eleições legislativas, mas também que continua zangado com o travão imposto à política de anteriores governos, em particular do Governo PSD/CDS, designadamente no que se refere aos cortes nos direitos e rendimentos dos portugueses.

O ex-Presidente da República manifestou-se contra a redução do IVA da restauração e a redução do horário semanal da função pública para 35 horas, sublinhando que «o benefício concedido ao sector da restauração está a ser pago pelos utentes do SNS sob a forma da degradação da qualidade dos serviços que são prestados aos utentes».

Cavaco Silva, na sua intervenção não mencionou o facto de a degradação do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e de outros serviços públicos essenciais se ficar a dever à política de privatização de empresas públicas como a BRISA, a EDP, a GALP, a REN e a PT, de que foi um indefectível animador.

A título de exemplo, importa sublinhar que, só em 2017, a soma dos lucros da EDP, da REN e da GALP ascenderam a perto de 3 mil milhões de euros.

A propósito, relembrar que o anterior Governo PSD/CDS, a par de um enorme aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho, promoveu uma brutal redução de impostos para as empresas, particularmente para aquelas com lucros muito elevados. A taxa normal do IRC passou de 25% para 23% em 2014, voltando a descer para 21% em 2015, com a intenção de a colocar abaixo dos 19% e eliminar a derrama estadual, caso se tivesse mantido em funções, como desejava Cavaco Silva.

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