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Aumenta tudo, menos os salários reais

Neste início de ano de 2023 estão anunciados aumentos de preços dos bens e serviços essenciais, agravando ainda mais as condições de vida da generalidade da população, sem que os salários e as pensões os acompanhem.

CréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Após um 2022 em que se registou a maior subida anual de preços de bens e serviços de consumo dos últimos 30 anos, reflectida numa inflação que se fixou nos 8,1%, o início deste novo ano fica marcado, para além do aumento das portagens, pelo aumento de preços dos transportes, nomeadamente 10% nos bilhetes ocasionais da Carris e do Metro, entre 4% a 7,7% (conforme os percursos) em viagens ocasionais na Soflusa e na Transtejo e de 6,1% dos bilhetes ocasionais e pré-comprados da Fertagus.

Aumentam também a tarifa regulada da energia eléctrica em 3,3% e do gás natural em 3%, as rendas de casa em 2%, as tarifas nos parques de estacionamento, as inspecções obrigatórias dos veículos, as telecomunicações (MEO, Vodafone e NOS), os correios, o pão e outros bens alimentares e serviços. Aumentos, a que se devem acrescentar a subida das prestações com empréstimos para aquisição de habitação própria, incomportável para muitas famílias e decorrente do brutal aumento das taxas de juro impostas pelo Banco Central Europeu.

Uma situação que foi criticada pelo PCP, numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, onde Margarida Botelho, membro do Secretariado, sublinhou que «o aumento do custo de vida e a escalada de preços traduzem-se na perda real e significativa de poder de compra dos trabalhadores e do povo, mas também na acumulação de lucros que o aproveitamento especulativo por parte dos principais grupos económicos tem garantido».

Os comunistas defendem a necessidade de enfrentar o aumento preços e a subida da inflação através do aumento dos salários e pensões, da regulação dos preços dos combustíveis, da energia, dos bens alimentares e de outros serviços essenciais, incluindo telecomunicações, serviços bancários, rendas de casa e taxa de juros do crédito à habitação. Para o PCP, são insuficientes as medidas pontuais e assistencialistas como as que o Governo tem promovido, num quadro em que as estimativas do Banco de Portugal apontam para uma inflação em 2023 em torno dos 5,8%.

Concluindo, os preços continuarão a aumentar nos próximos meses, somando-se aos aumentos de 2022.

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