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Adensam-se as preocupações quanto ao futuro da agricultura no País

Perante o acordo alcançado no Conselho Europeu sobre as verbas do Quadro Financeiro Plurianual, às quais se juntam as do Fundo de Recuperação, a CNA considera que não há motivo para respirar de alívio.

Créditos / EpocaNegocios

«Dizer-se que se evitaram males maiores não faz com que o acordo passe a ser bom», afirma a Confederação Nacional de Agricultores (CNA) em comunicado, acrescentando que se adensam as preocupações quanto ao futuro da agricultura e da situação económica e social do País.

Mesmo incluindo as verbas do Fundo de Recuperação, o financiamento total disponibilizado aos estados-membros mantém «um recuo assinalável» relativamente aos seus valores reais no passado, afirma a estrutura, lembrando que os valores do Quadro Financeiro Plurianual não contam com o orçamentado através do Fundo de Recuperação.

Para a CNA, a agricultura foi «severamente prejudicada» pelo arrastar das negociações deste fundo, tendo perdido metade da dotação inicial proposta, que era de 15 mil milhões de euros, ficando apenas com 7,5 mil milhões. 

«Isto significa que, para a agricultura, vai somente 1% das verbas adicionais do Fundo de Recuperação. Situação de gravidade acrescida, tendo em conta as exigências reforçadas no plano da condicionalidade, clima e biodiversidade que vão ser colocadas aos agricultores», pode ler-se no comunicado.

A CNA vê com «grande apreensão» que este pacote de fundos comunitários contemple a possibilidade de aumento da dívida pública, tendo em conta que uma fatia importante virá sob a forma de empréstimos, somando-se assim a uma dívida «já de si asfixiante, e em boa parte de legitimidade questionável». 

A organização rejeita que a atribuição destes apoios seja associada a novas condicionantes que «limitem ainda mais a soberania política e económica» do País, colocando em causa «funções sociais essenciais» para as populações, em particular as que habitam os territórios rurais.

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