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Abdicar dos dividendos «extra» não faz justiça

O presidente do conselho de administração e o presidente executivo do grupo Impresa tomaram a decisão de «abdicar» de cerca de 70 mil euros, na sequência da crise resultante do surto epidémico.

Créditos / msn

O presidente do conselho de administração do grupo Impresa (dono da SIC e do Expresso), bem como o presidente executivo, decidiram renunciar à sua remuneração variável, na sequência da crise provocada pelo surto epidémico de Covid-19. Em causa estão, respectivamente, 11,4 mil euros e 60 mil euros que Francisco Pinto Balsemão e Francisco Pedro Balsemão não irão receber.

Sem a remuneração variável, Francisco Pinto Balsemão recebe assim em dividendos 106 400 mil euros e o filho, Francisco Pedro, 280 mil euros – os valores correspondentes à remuneração fixa para o período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2019.

Em Maio, o Governo anunciou um apoio aos meios de comunicação social, cuja maior fatia calhou justamente a este grupo. A compra antecipada de publicidade institucional traduziu-se numa injecção de 3,5 milhões sem qualquer contrapartida.

Apoios públicos para meios de comunicação que continuam a distribuir dividendos, sem condicionamentos no que toca ao ataque aos direitos laborais e na aplicacão do regime de lay-off, no qual os trabalhadores se vêem privados de um terço dos seus rendimentos. São também livres de despedir aqueles que, com vínculos precários, sustentam os lucros, numa lógica informativa que favorece os grandes interesses.

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