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90% dos transportes na AML, aquém do necessário

A Área Metropolitana de Lisboa decidiu aumentar para 90% a oferta de transportes, a partir de 1 de Julho, optando por não garantir a resposta necessária para cumprir os 2/3 da lotação.

CréditosSofia Figueiredo / facebook

A decisão foi tomada esta quinta-feira numa reunião do Conselho Metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa (AML), que tem funções como autoridade de transporte, na sequência da redução do número de autocarros desde meados de Março, durante o confinamento provocado pelo surto epidémico de Covid-19.

De acordo com Carlos Humberto, primeiro secretário da AML, na reunião de ontem houve «um entendimento com os operadores» de transporte para que a partir de 1 de Julho exista um «reforço significativo da oferta» de transportes rodoviários, à volta dos 90% quando comparado com o mesmo período do ano passado.

Na quarta-feira, durante uma acção de protesto sobre a situação dos transportes, em declarações à agência Lusa a secretária-geral da CGTP-IN considerava «inaceitável» as empresas do sector manterem o lay-off’, denunciando a situação que se vive nos transportes públicos, nomeadamente nas grandes áreas metropolitanas, mas também noutras regiões do País.

«Com a retoma mantêm-se em lay-off, coisa que consideramos completamente inaceitável, porque não só estas empresas são de grandes grupos económicos e estão a fazer com que os trabalhadores que estão em lay-off tenham um corte de um terço nos salários, como não estão a garantir a oferta suficiente para se poderem cumprir as normas da Direcção-Geral da Saúde relativamente à ocupação dos transportes públicos», disse Isabel Camarinha.

Com o mesmo ponto de vista, o coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) afirmou que o Governo tem de obrigar as empresas a repor a sua actividade normal.

«O Governo tem de ter uma palavra de ordem, tem de ter autoridade para obrigar a que estas empresas funcionem e reponham a sua actividade, porque é disso que se trata, porque, caso contrário, continuamos a ter uma situação de contágio», salientou José Manuel Oliveira.

De acordo com o responsável, as pessoas andam em comboios, autocarros e barcos sobrelotados. Revelando que estão cerca de cinco mil trabalhadores em lay-off em todo o País, José Manuel Oliveira considerou que as empresas privadas não «podem gerar lucros para os grupos económicos», referindo que «não podem – numa situação de crise – transferir todos os custos do erário público para os trabalhadores».

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