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Urge preservar a memória da resistência antifascista em Lisboa

O PCP opõe-se ao encerramento, a pretexto de obras, da Biblioteca-Museu República e Resistência, «uma das guardiãs da memória da República e da resistência antifascista» no município de Lisboa.

O PCP classifica a Biblioteca-Museu República e Resistência como «uma das guardiãs da memória da República e da resistência antifascista» em Lisboa
O PCP classifica a Biblioteca-Museu República e Resistência como «uma das guardiãs da memória da República e da resistência antifascista» em Lisboa CréditosCML

Numa altura em que «se procuram trilhar caminhos e tomar decisões que prejudicam irremediavelmente este desígnio, ao pretender» encerrar a Biblioteca-Museu República e Resistência (BMRR), os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) defendem a necessidade de «inverter esta decisão, preservando e valorizando a memória da República e da resistência antifascista na cidade de Lisboa, dando condições a quem trabalha e aos equipamentos municipais nesta área», lê-se numa nota enviada às redacções esta sexta-feira.

A intenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de «encerrar para obras» a BMRR, sob pretexto de proceder a «intervenções há muito identificadas e que durante anos não obtiveram resposta», não convence os eleitos do PCP, que entendem que as intervenções «a isso não obrigam, nem tão-pouco à saída do espólio dali para outro sítio».

«O PCP conhece e acompanha o trabalho ali feito, há muitos anos, discordando da ideia que o PS quer passar de que a BMRR é "um museu silencioso, inoperante, não-apelativo, mesmo morto"», lê-se na nota, em que se sublinha que a BMRR «continua a ser usufruída» e que «as suas obras são consultadas, tem utilizadores».

A criação, naquele espaço, de uma biblioteca de bairro como justificação para o encerramento da BMRR também não convence os comunistas, que lembram que o «espaço, projectado pelo arquitecto Keil do Amaral, foi pensado e construído para albergar aquele espólio e cumprir uma função específica, tendo ainda um mural da autoria de Maria Keil único».

Fachada da Biblioteca_museu República e Resistência, no Bairro do Rêgo, em Lisboa Créditos

Os eleitos do PCP na AML não negam «a necessidade de existir uma biblioteca de bairro, generalista», mas mostram-se igualmente convictos de que há «outros espaços, na freguesia das Avenidas Novas e no Bairro do Rêgo, em particular, onde poderá ser instalada».

Para os comunistas, este processo assume semelhanças ao do encerramento da BMRR – Espaço Grandella, em Benfica, sendo que, até hoje, não existem informações relativas ao destino dado ao seu espólio, e a CML continua sem responder ao requerimento do PCP, de 2014, «apesar das insistências ao longo dos anos».

Preservar, valorizar, divulgar a memória do passado republicano e antifascista do povo português

Os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa dizem aguardar com expectativa a discussão e votação da sua recomendação «Pela preservação da memória da República e da Resistência Anti-fascista pelo Município de Lisboa», na qual se solicita à CML, entre outras coisas, que informe a AML sobre os critérios que presidiram à decisão de encerramento da BMRR, sem que as obras o justifiquem.

Recomenda-se ainda a não desagregação do acervo da BMRR, bem como o envolvimento dos trabalhadores em eventuais alterações à BMRR, ouvindo as estruturas sindicais que os representam.

Defende-se, além disso, que a CML deve dotar a BMRR de meios logísticos que permitam uma maior dinamização do espaço, assim como construir e implementar um plano efectivo de preservação, valorização e divulgação, na cidade de Lisboa, da memória e de um espólio que atesta o passado republicano e de resistência antifascista do povo português.

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