|Crime Ambiental 

Remoção do lixo tóxico nas minas de São Pedro da Cova sem fim à vista

A segunda e última fase do processo de remoção das centenas de resíduos tóxicos, que foram ilegalmente depositadas nas antigas minas de carvão, sofreu na passada sexta-feira mais um atraso.

Nas minas de carvão de São Pedro da Cova, onde a laboração que chegou a empregar 1800 pessoas parou há 45 anos, reina o silêncio das ruínas que, apesar de classificadas, estão ao abandono.
Nas minas de carvão de São Pedro da Cova, onde a laboração que chegou a empregar 1800 pessoas parou há 45 anos, reina o silêncio das ruínas que, apesar de classificadas, estão ao abandono. CréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Depois da descoberta de mais 28 toneladas de materiais tóxicos no espaço da S. Pedro da Cova, em Gondomar, elevando o total que ainda terá de ser retirado para cerca de 150 toneladas, foram agora descobertos engenhos explosivos, atrasando em mais de dois meses o empreendimento, de acordo com o ministro do Ambiente Matos Fernandes.

Este equipamento poderá ter sido abandonado no início dos anos 80, quando se procurou reatar os trabalhos na mina (encerrada definitivamente em 1972) em regime de mineração a céu aberto pela empresa de construção Sousa, Resende & Rodrigues.

O dono desta empresa é actualmente um dos seis arguidos no processo movido pela Junta de Freguesia de Fânzeres e São Pedro da Cova e pelo Ministério Público relativo ao depósito ilegal. O processo, que se arrasta há 20 anos, foi retomado depois de um recurso movido pela freguesia. A sentença será anunciada no próximo dia 15 de Julho.

No que toca à limpeza dos terrenos, a Junta de Freguesia considera, em comunicado divulgado à imprensa, que só se poderá dar por concluída esta parte do processo com a realização de uma auditoria que envolva estruturas científicas como «o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (entidade responsável pelo estudo prévio às características e impacto destes resíduos) e «o envolvimento da Universidade do Porto (FEUP, FCUP, ICBAS)».

Entende a Junta ser fundamental que o procedimento para fechar este longo capítulo seja acompanhado politicamente pelo «Ministério do Ambiente, Comissão Parlamentar do Ambiente da Assembleia da República, Câmara Municipal de Gondomar e Junta de Freguesia de Fânzeres e São Pedro da Cova». 

Para lá da realização de uma auditoria, o Presidente da Junta de Freguesia de Fânzeres e São Pedro da Cova, Pedro Miguel Vieira defendeu, em declarações ao AbrilAbril, que «o Governo tem de fazer uma avaliação do impacto ambiental, para percebermos efectivamente se está tudo limpo, se não houve contaminação dos solos, contaminação dos lençóis friáticos, e que dê por encerrado o caso, procedendo à requalificação do espaço e atribuindo uma compensação à freguesia», que se viu forçada a conviver durante décadas com o chumbo e outros resíduos tóxicos lá depositados pela Siderurgia Nacional, Urbindústria, Terriminas e Vila Rei.

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