Em reunião privada do executivo municipal, a proposta para a realização das 11.ª e 12.ª edições do Rock in Rio em Lisboa, que ocorrerão, respectivamente, este ano e em 2028, foi apresentada pela liderança PSD/CDS-PP/IL, que governa com maioria absoluta, e foi aprovada com os votos contra de Livre, BE e PCP, e a abstenção de PS e Chega.
Segundo o protocolo a celebrar entre o município e a organização do Rock in Rio Lisboa, as próximas duas edições deste «relevante evento cultural» vão ter lugar no Parque Papa Francisco, junto ao Tejo-Trancão, onde ocorrer a 10.ª edição, realizada em 2024.
A 11.ª edição do Rock in Rio Lisboa vai acontecer este ano, nos dias 20, 21, 27 e 28 de Junho, enquanto a 12.ª ocorrerá em 2028, «em datas a definir, mediante acordo entre as partes», de acordo com o protocolo.
A proposta volta a isentar o altamente lucrativo festival do pagamento de taxas municipais para as próximas duas edições, desta vez no valor total estimado de 3,13 milhões de euros, incluindo acções de divulgação, licença especial de ruído e ocupação do parque com estruturas.
Esse montante de isenção de taxas municipais, que ainda tem de ser submetido à aprovação da Assembleia Municipal de Lisboa, representa uma redução para metade do valor que a autarquia tem abdicado com a realização do evento, uma vez que, anteriormente, prescindia de cerca de 3 milhões por cada edição. Apesar disso, são investimentos que comprometem o investimento público em áreas fundamentais para a cidade. Recorde-se, a este propósito, os quatro milhões de euros que a autarquia retirou à Carris para atribuir à Web Summit. E, no plano cultural e recreativo, as muitas asssociações e colectividades confrontadas com situações de despejo, que acusam o Município de as deixar morrer.
Apesar disso, o PS absteve-se, justificando-se com a «reconhecida importância do evento para a cidade» e a necessidade de discutir as contrapartidas associadas ao apoio municipal. BE e Livre votaram contra, assim como o PCP, uma vez que, admitiu João Ferreira, «se trata de um evento que gera lucros significativos», denunciando que o critério da Câmara Municipal de Lisboa «não é o mesmo» para as associações e colectividades do concelho.
Já o Livre, que admitiu o aprofundamento de «desigualdades entre grandes operadores globais e associações culturais e pequenos promotores», propôs «isenções mais baixas». O BE realçou que este «valor astronómico» compara, por exemplo, «com o investimento municipal para com as pessoas em situação de sem-abrigo, que não ultrapassou os 5 ME [milhões de euros] em 2025».
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