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Fenprof, utentes e sobreviventes do IP3 preparam contra-inauguração

Passados quatro anos, os utentes, entre os quais também se contam muitos professores, lamentam que a obra de requalificação do IP3 esteja quase toda por fazer, mantendo uma sinistralidade muito elevada. 

António Costa, acompanhado por Pedro Nuno Santos, visita as obras no IP3, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2019, Penacova, Coimbra, 1 de Outubro de 2019.  
António Costa, acompanhado por Pedro Nuno Santos, visita as obras no IP3, no âmbito da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2019, Penacova, Coimbra, 1 de Outubro de 2019.  CréditosMário Cruz / Agência Lusa

Embora as obras de requalificação do IP3, que liga Vila Verde da Raia, em Chaves, à Figueira da Foz, estejam basicamente paradas à anos, os milhares de utentes que têm de utilizar uma das estradas mais perigosas do país podem sempre contar com renovadas «cerimónias de croquetes e propaganda».

A 2 de Julho de 2018, o primeiro-ministro António Costa anunciou, em Penacova, o lançamento da empreitada da 1.ª fase de requalificação do IP3 e o lançamento do projeto da 2.ª fase que previa a duplicação/requalificação de Fornos/Souselas (IC2) ao nó de Viseu (A25). Este investimento de 134 milhões de euros devia estar terminada em 2022, passados quatro anos, apenas 10% está concretizado.

Em comunicado conjunto, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) e a Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3 recordam que, de acordo com o primeiro-ministro, a dimensão do investimento na obra «obrigava o Governo a optar entre a requalificação do IP3 e a recomposição da carreira docente».

No entanto, os professores, muitos dos quais precisam deste troço rodoviário para exercer a sua profissão, alertam que «a não realização das obras não se deve a qualquer investimento do governo na sua profissão, cuja carreira se mantém com um corte de tempo de serviço entre os seis anos e meio e os dez e consequentes perdas salariais anuais de vários milhares de euros per capita». Ficaram as obras por fazer e a carreira dos profissionais deste sector por valorizar.

A Fenprof reafirma a necessidade de «recompor uma carreira e um estatuto remuneratório que em menos de duas décadas se desvalorizou cerca de 30%, sendo uma das principais causas da situação, hoje bem conhecida, de falta de muitos professores nas escolas».

Contra-inaugurar uma obra à muito prometida e anunciada

Assinalando o 4.º aniversário dos «célebres anúncios», os utentes e professores vão promover uma acção de denúncia e protesto, no próximo dia 2 de Julho.

A contra-inauguração terá início às 11h, na Espinheira: «para além das velas de aniversário, contará com o contra-discurso do senhor contra-primeiro-ministro, os esclarecimentos de representantes das organizações promotoras do evento e o inevitável cortar de fita, para além da envolvente realização de outros actos normalmente associados a este tipo de cerimónias».

Contra-inaugurada a obra, seguir-se-á a visita a um IP3 em que nada aconteceu nos últimos quatro anos, especialmente no troço Espinheira-Souselas. A caravana automóvel vai circular a uma «velocidade que permita apreciar devidamente aquilo que foi feito – com destaque para a instalação do novo radar no início da descida do Botão».

«Poderão ocorrer, no decurso da marcha, algumas buzinadelas de utentes que decidam manifestar o seu contra-contentamento, quiçá, contra-agradecimento pelo que forem observando», alertam os organizadores.

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