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Venezuela perdeu mil milhões de dólares devido a sanções

As sanções impostas à Venezuela pelos EUA e seus aliados provocaram ao país sul-americano perdas no valor de mil milhões de dólares no último ano e meio, segundo informou Delcy Rodríguez.

Encontro em Moscovo entre Nicolás Maduro e Vladimir Putin, acompanhados por delegações dos executivos venezuelano e russo (Moscovo, 5 de Dezembro de 2018)
Encontro em Moscovo entre Nicolás Maduro e Vladimir Putin, acompanhados por delegações dos executivos venezuelano e russo (Moscovo, 5 de Dezembro de 2018)Créditos / @PresidencialVen

«O povo da Venezuela tem de saber que as sanções financeiras [impostas] ao país nos custaram mil milhões de dólares, e que continuamos a trabalhar em prol do bem-estar de todos os venezuelanos», disse esta quarta-feira a vice-presidente da República, Delcy Rodríguez.

Em declarações à imprensa, Rodríguez sublinhou que, apesar das medidas coercivas e unilaterais a que o país é sujeito, as autoridades venezuelanas levam a cabo esforços para garantir o acesso do povo aos alimentos, medicamentos, serviços e outros produtos, bem como «o direito a gozar um Natal feliz».

«Há um governo e um presidente preocupados com a felicidade do povo neste Natal, apesar de o país ser alvo de um bloqueio criminoso», disse, citada pela Prensa Latina, acrescentando que «muitas vezes não se sabe bem, não se sabe o que significa garantir o acesso aos medicamentos, alimentos e serviços essenciais».

Em virtude das sanções, explicou, «as operações para a aquisição de alimentos ou fármacos demoram quatro meses em média», algo que, em condições normais, levaria apenas um dia. Neste sentido, sublinhou que as medidas financeiras visam «desestabilizar a vida social do país e apoderar-se dos recursos naturais e económicos gerados internamente».

Maduro e Putin em sintonia na Rússia

A destacada representante venezuelana referiu-se ainda aos mecanismos de cooperação implementados pelo executivo, visíveis nos acordos estabelecidos com a China ou a Rússia, onde o presidente da República, Nicolás Maduro, esteve ontem reunido com o seu homológo, Vladimir Putin, para ali «fortalecer as relações» com o país euroasiático e «alcançar, através da diplomacia bolivariana da paz, um equílibrio internacional», indica a HispanTV.

De acordo com a informação que Maduro ontem divulgou na sua conta oficial de Twitter, o encontro com Vladimir Putin foi um «êxito», tendo-se decidido que, hoje, representantes da Venezuela e da Rússia irão assinar acordos em áreas de «interesse mútuo», nomeadamente petróleo, defesa, comércio e finanças.

Indignação com a atitude da Colômbia

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Jorge Arreaza, qualificou esta quarta-feira como «imoral» que o seu homólogo colombiano, Carlos Holmes Trujillo, tenha solicitado sanções contra a Venezuela.

Na sua conta de Twitter, Arreaza acusa a classe política colombiana de ter «ligações muitas próximas ao narcotráfico e à violência paramilitar», violando de «forma sistemática os direitos humanos dos seus cidadãos».

Arreaza aproveitou ainda para lembrar as declarações recentes do relator das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michel Frost, que se mostrou «horrorizado» com a situação dos dirigentes sociais na Colômbia, depois de ter passado dez dias nos departamentos de La Guajira, Antioquia, Norte de Santander, Chocó e Cauca.

O alto funcionário das Nações Unidas disse ter constatado o medo em que vivem os líderes sociais e as suas famílias na Colômbia, sublinhando que ocorrem mais crimes nas regiões que foram desocupadas pelas FARC-EP, na sequência dos acordos de paz, segundo referem a AVN e a Prensa Latina.

Também chamou a atenção para o alto nível de impunidade existente no país – o que favorece o homicício –, embora tenha considerado que é inferior ao que se verifica nas Honduras ou no México.

Sublinhou que, por trás das ameaças e dos assassinatos, estão, em muitos casos, a questão da terra e os conflitos com determinadas empresas, nomeadamente as que operam na área da mineração.

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