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Tribunal britânico decide extradição de Assange

O jornalista e fundador do Wikileaks vai conhecer na próxima segunda-feira a decisão judicial sobre o pedido de extradição formulado pelos EUA. O seu pai alerta para o risco de vida que corre o filho.

Manifestantes fora do tribunal de magistrados de Westminster. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enfrenta uma audiência sobre um pedido de extradição dos EUA por alegadamente conspirar para
Manifestantes fora do tribunal de magistrados de Westminster. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, enfrenta uma audiência sobre um pedido de extradição dos EUA por alegadamente conspirar para "hackear" um computador do Pentágono. Londres, Reino Unido, 2 de Maio de 2019 CréditosFrank Augstein

Julian Assange, jornalista e fundador da Wikileaks, conhecerá na próxima segunda-feira, dia 4 de Janeiro, a decisão sobre o recurso de extradição apresentado pelos EUA a seu respeito, informa a agência noticiosa Associated Press (AP).

Assange, que denunciou ao mundo crimes de guerra norte-americanos é acusado de publicar documentos secretos militares e sobre ele pendem acusações que podem levar a uma pena de 175 anos de cadeia.

O veredicto será anunciada durante a manhã de segunda-feira no tribunal londrino de Old Bailey, presidido pela juíza Vanessa Baraitser. A decisão final será tomada pelo governo britânico mas, dado o comportamento deste relativamente ao caso Assange, o pior cenário é o mais provável.

Diversas personalidades assistentes às sessões denunciaram o comportamento da magistrada relativamente ao acusado. Já a magistrada responsável pela instrução do processo, Emma Arbuthnot, tinha sido exposta por o seu marido ser membro de um grupo de pressão do governo dos Estados Unidos [ver «Assange e a miséria do jornalismo«, em caixa].

Segundo a AP, espera-se que, qualquer que seja a decisão, a parte vencida irá apelar da mesma, o que poderia levar a anos de batalhas legais.

Tendo em conta que a juíza Baraitser considerou existir risco de fuga de Julian Assange e decidiu mantê-lo na prisão de alta segurança de Belmarsh mesmo depois de, a 22 de Setembro passado, ter terminado a pena a que fora condenado pela justiça britânica, existe o risco de o jornalista continuar preso em condições adversas para a sua saúde física e mental.

Assange, actualmente com 49 anos, desde há cerca de uma década que sofre perseguições que o obrigam a viver em circunstâncias extraordinariamente difíceis.

Advogados representando o Governo dos EUA consideraram que as acusações, àquele país, de tortura, crimes de guerra, assassinato, quebras de leis diplomáticas e internacionais «jamais deveriam ter sido feitas».

Segundo a defesa do jornalista, a exposição por este de crimes cometidos pelos EUA no Iraque e no Afeganistão está protegida pela Primeira Emenda da Constituição norte-americana e o pedido de extradição é «politicamente motivado».

Nas sua alegações finais, a defesa acusou os EUA de uma acusação «sem precedentes e extraordinariamente politizada», constituindo «uma flagrante negação do direito à liberdade de expressão que coloca uma ameaça fundamental à liberdade de imprensa em todo o mundo».

Alertou ainda para os riscos que sofre a saúde mental de Julian Assange, que entre Junho de 2012 e Abril de 2019 viveu refugiado na embaixada do Equador em Londres, desde essa data se encontra preso em condições extremas em Belmarsh e enfrenta a perspectiva de ser encarcerado numa prisão de alta segurança nos EUA.

A CovertAction Magazine chama a atenção para os receios da sua noiva, Stella Moris, de que os dois filhos de Assange, Gabriel (três anos) e Max (um ano), não voltem a ver o pai a não ser atrás das grades.

Pai de Assange receia vingança dos EUA

John Shipton, pai de Julian Assange, exprimiu numa entrevista ao Independent a sua preocupação pela possibilidade de os EUA tentarem «quebrar» o seu filho como vingança pelo facto de este ter exposto crimes cometidos por aquele país.

«Julian é conhecido por dizer a verdade. E a Wikileaks revelou crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A perseguição a Julian visa destruir a sua capacidade de dizer a verdade sobre o que se passou nos últimos 20 anos e sobre a destruição do Médio Oriente», afirmou Shipton, citado pela Sputnik News.

Face à perspectiva de Assange, caso seja extraditado, vir a ser encerrado na prisão de alta seguraçã de Florence, no Colorado – onde, por exemplo, se encontram o «unabomber» Theodre Kaczynski e o bombista do World Trade Center, Ramzi Yousef –, Shipton referiu que isso significaria o seu encerramento «numa pequena cela, de dois metros e meio por três metros», sem «permissão para falar» com outros prisioneiros, numa prisão em que os prisioneiros frequentemente sofrem de problemas mentais devido ao seu isolamento e comunicam aos gritos para se fazerem ouvir, numa verdadeira «cacofonia».

«23 horas por dia sozinho em uma cela, sem comunicação permitida», lamentou-se o pai de Assange, é uma «miserável injustiça».

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