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Prossegue ofensiva do Exército sírio contra terroristas a leste de Damasco

Terroristas mantêm civis retidos em Ghouta Oriental

Apesar da resolução aprovada este sábado no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os morteiros continuam a cair sobre vários bairros de Damasco. Para além disso, os terroristas instalados em Ghouta Oriental não estão a permitir a saída da população civil ali retida.

Tropas do Exército Árabe Sírio (imagem de arquivo)
Tropas do Exército Árabe Sírio (imagem de arquivo)Créditos

Fontes militares confirmaram à imprensa que prosseguem, em larga escala, as operações iniciadas há mais de uma semana para libertar a região damascena de Ghouta Oriental de grupos terroristas.

As várias facções extremistas ali localizadas, ligadas à Al-Qaeda e à Al-Nusra, anunciaram recentemente que passariam a responder a um comando único, para tentarem travar a investida do Exército Árabe Sírio (EAS).

Há anos que estes grupos aterrorizam a população local e, nas últimas semanas, têm intensificado os ataques com obuses e morteiros contra vários bairros de Damasco, provocando centenas de vítimas mortais e feridos entre a população civil, segundo revelam as autoridades sírias.

Resolução da ONU e acção dos terroristas

As últimas operações e avanços do EAS no terreno seguiram-se ao lançamento, pelos terroristas, de 31 morteiros contra várias áreas residenciais da capital síria e são já posteriores à resolução aprovada, no sábado, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), que determina a aplicação de um cessar-fogo humanitário de 30 dias em todo o território sírio, mas não contempla os combates a grupos terroristas como o Daesh, o chamado Exército do Islão, a Frente al-Nusra e outras organizações ligadas à Al-Qaeda.

A resolução prevê a criação de corredores humanitários de ajuda à população civil, e, ontem, o EAS lançou milhares de panfletos sobre Ghouta Oriental com a indicação dos mapas dos corredores criados para garantir a saída segura dos civis da região.

Nos panfletos, o Exército garante segurança, paz, alojamento, alimentação, assistência médica gratuita e o regresso da população às suas casas após a libertação de Ghouta Oriental, informa a Prensa Latina.

No entanto, os grupos terroristas ali localizados estão a bloquear tanto a entrada de ajuda humanitária como a saída da população civil. A acusação, realizada este domingo pelo Ministério russo da Defesa, corrobora as declarações do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, efectuadas há uma semana, quando acusou estes grupos de quererem «manter [a população civil] como escudos humanos», recusando acordos que permitissem a sua evacuação em larga escala.

«A Síria não precisa das sessões de exibicionismo da ONU»

Após vários atrasos e negociações de última hora, a resolução a favor de um cessar-fogo de 30 dias no território sírio foi aprovada por unanimidade, no sábado, pelo CSNU.

Na declaração subsequente à votação, o representante permanente da Síria junto das Nações Unidas, Bashar al-Ja'afari, afirmou que o seu país não precisa de «sessões de exibicionismo» da ONU e destacou o modo como a instituição e as potências ocidentais ignoram o sofrimento dos habitantes de Damasco provocado pelos terroristas posicionados em Ghouta Oriental.

«Os apelos de oito milhões de sírios em Damasco não chegam à Secretaria Geral das Nações Unidas ou às caixas de correio dos representantes dos EUA, do Reino Unido e da França, mas os dos terroristas alcançam-nos», disse, citado pela PressTV.

Lembrando que os grupos extremistas costumam aproveitar este tipo de iniciativas para juntar os seus combatentes e receber reforços militares e logísticos, o diplomata sírio defendeu o «direito soberano» do governo de Damasco a defender-se e a lutar contra o terrorismo no seu território nacional.

Rússia alerta para provocação e o ataque «acontece»

Tendo por base a informação recolhida pelo Centro Russo para a Reconciliação na Síria, o Ministério russo da Defesa alertou, este domingo, para a possibilidade de os terroristas que controlam Ghouta Oriental estarem a preparar uma «provocação» com armas químicas.

Algumas horas mais tarde, chegavam notícias de que havia pessoas nessa região a sofrer de sintomas de exposição ao gás cloro, e os Capacetes Brancos – cujo trabalho de defesa civil, encenação hollywoodesca e terrorismo activo colhe amplo apoio no Ocidente – estavam no local à hora certa para «filmarem e fundamentarem» as acusações contra Damasco.

A acusação em si não tem nada de original. Há anos que as potências ocidentais e os seus abanderados mediáticos tentam fazer das armas químicas solo fértil para plantar acusações e ameaças contra o governo de Damasco e, se tanto é necessário, justificar junto da opinião pública um grau maior de intervenção e ingerência no país levantino – com a consequente diabolização de quem defende o «regime de Assad».

As acusações têm sido sistematicamente refutadas pelas autoridades sírias como «não fundamentadas» e «fabricadas», sendo seu objectivo último deter a acção do Exército e forças aliadas sempre que estes estão na mó de cima na luta contra o terrorismo. Para além disso, Damasco já deixou claro que procedeu à destruição do seu arsenal químico, num processo monitorizado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

Novos bombardeamentos da coligação internacional

Ataques aéreos da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos terão provocado 29 mortos e dezenas de feridos entre a população civil na província de Deir ez-Zor, divulgou a imprensa síria este domingo, citando fontes militares.

De acordo com a imprensa, os ataques ocorreram nas aldeias de Al-Sha'afa e Dharat Allouni, provocando também grandes danos materiais em casas e diversas infra-estruturas públicas. Já esta tarde, responsáveis da referida coligação negaram a existência do ataque, afirmando não ter realizado operações aéreas na província de Deir ez-Zor nas últimas 72 horas.

No passado dia 20, um outro ataque desta coligação provocou a morte a 16 civis, indica a Prensa Latina. Recorde-se que as autoridades sírias têm denunciado reiteradamente a acção bélica desta força invasora liderada pelos norte-americanos, que, alegando combater o chamado Estado Islâmico – sem autorização do governo de Damasco e mandato das Nações Unidas –, tem provocado inúmeras mortes entre a população civil.

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