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Israel e Turquia bombardeiam território sírio

A responsabilidade pela explosão junto ao aeroporto de Damasco, na madrugada de quinta-feira, está a ser apontada a Israel, que não desmente. No início da semana, bombardeamentos turcos no Norte do país terão feito vítimas civis.

Um caça F-15 da Força Aérea de Israel a levantar voo na base aérea de Hatzerim. 27 de Junho de 2013
Um caça F-15 da Força Aérea de Israel a levantar voo na base aérea de Hatzerim. 27 de Junho de 2013CréditosAbir Sultan / EPA

O fogo e a coluna de fumo que se tornaram visíveis às primeiras horas de quinta-feira junto ao aeroporto da capital síria terá sido provocada por um ataque israelitas, de acordo com uma fonte militar citada pela agência SANA. O ataque terá sido concretizado pela aviação israelita, uma informação confirmada pela estação iraniana al-Aalam.

Em declarações à imprensa a partir de Tel Aviv, o ministro Yisrael Katz, que tutela os serviços secretos, afirmou apenas que a operação está «completamente em linha com a política israelita». Questionados, nem o responsável nem as Forças de Defesa de Israel confirmaram ou negaram a responsabilidade pelo ataque, de acordo com uma prática corrente naquele país.

O alvo seriam armazéns alegadamente utilizados pelo movimento libanês Hezbollah e os bombardeamentos provocaram apenas danos materiais.

Rússia e Irão denunciam cumplicidade com terroristas

Ontem, tanto a Rússia como o Irão condenaram o ataque israelita. Em visita a Moscovo, o ministro da Defesa iraniano afirmou que «quando a situação piora para os terroristas, os ataques seguem-se». Para o responsável, Israel está a passar a mensagem aos grupos terroristas na Síria que irá «defendê-los e protegê-los», refere a PressTV.

Em conferência de imprensa, ontem, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, condenou os actos de agressão à Síria e apelou ao «respeito pela soberania e integridade territorial da Síria».

Para além do ataque israelita, os bombardeamentos levados a cabo pela Turquia na passada terça-feira em regiões fronteiriças da Síria e do Iraque levantam «profunda preocupação» à Federação Russa. Zakharova afirmou ainda que «o bombardeamento dos EUA à base aérea junto a Homs encorajou a Turquia a cometer mais esta agressão» sobre território sírio.

A Força Aérea turca bombardeou regiões do nordeste da Síria no passado dia 25. Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria afirmou à SANA que o ataque provocou a morte de civis.

MNE francês diz que foi o regime sírio, mas as provas apontam para os «rebeldes»

Os ataques concretizados pelas duas potências regionais em território sírio surgem na mesma semana em que o ministro dos Negócios Estrangeiros francês afirmou ter provas de que as armas químicas que alegadamente terão sido usadas no ataque em Idlib, a 4 de Abril, têm «a assinatura do regime sírio». De acordo com Jean-Marc Ayrault, o método de fabrico é idêntico ao usado no ataque em Ghouta, em 2013.

De acordo com um relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o gás sarin detectado em Ghouta era idêntico ao usado em Khan al-Assal, cinco meses antes, num ataque sobre uma área controlada por forças governamentais e que vitimou vários soldados.

Capacetes Brancos «fabricam vídeos e falsos cenários»

Por outro lado, a porta-voz russa afirmou ontem que existem «evidências documentadas» de que os membros dos chamadas Capacetes Brancos têm participado em operações da organização terrorista Al-Nusra e «fabricado vídeos e falsos cenários».

Nas imagens divulgadas sobre o alegado ataque químico em Idlib, são vistos elementos dos Capacetes Brancos a prestar assistência às supostas vítimas sem equipamentos de protecção adequados, apesar de não aparentarem sofrer quaisquer efeitos.

Já aquando da libertação de Alepo, a RT conduziu uma reportagem em que civis os acusavam de «desaparecer quando as câmaras se desligavam, deixando pessoas debaixo dos escombros» e onde se viam imagens de elementos da organização com armas automáticas e agitando uma bandeira idêntica à utilizada pelos terroristas da Al-Nusra.

Apesar dos apelos, nomeadamente da Rússia, de uma investigação ao incidente de Idlib conduzida pela Organização para a Proibição de Armas Químicas, esta ainda não se concretizou.

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